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Temer diz que Bolsonaro terá sucesso e postura moderada no governo

Pedro Ladeira/Folhapress
7.nov.2018 - O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e o presidente Michel Temer durante reunião para tratar do processo de transição do governo. No palácio do Planalto Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Eduardo Davis

De Brasília

06/12/2018 17h37

O presidente Michel Temer disse nesta quinta-feira (6) estar convicto de que seu sucessor, Jair Bolsonaro, colocará o país no rumo correto e adotará uma postura mais moderada assim que tomar posse no próximo dia 1º de janeiro.

As previsões de Temer sobre o governo do presidente eleito foram feitas em entrevista coletiva com correspondentes estrangeiros em Brasília. O emedebista também fez um balanço de sua gestão e ressaltou que Bolsonaro encontrará "bases sólidas" para que o Brasil recupere o caminho do crescimento nos próximos anos.

Temer acredita que seu sucessor adotará basicamente a mesma política econômica do atual governo, se apoiando na austeridade e no rigor fiscal. E que também dará continuidade ao plano de privatizações colocado em prática por ele nos últimos dois anos.

Segundo Temer, a equipe de Bolsonaro concorda que o governo não pode controlar tudo. "Além disso, em algumas áreas, como segurança, educação e saúde, quanto mais privatização, melhor", afirmou

Temer também não vê diferenças entre a política externa de seu governo e a anunciada por Bolsonaro, apesar de acreditar que haverá uma "maior simpatia aos Estados Unidos".

"Ele seguirá a mesma linha em relação à Argentina, ao Mercosul e na aproximação da Aliança do Pacífico", projetou.

O presidente considerou que Bolsonaro será mais moderado em algumas posições, sobretudo nas críticas ao multilateralismo, considerado por Temer como "fundamental para o desenvolvimento da economia do Brasil".

"Não temos poder político ou econômico para tentar outra coisa", analisou o emedebista sobre a preferência da política externa brasileira em buscar apoio em fóruns e organizações globais para pleitear suas demandas internacionais.

Da mesma forma, Temer acredita que Bolsonaro diminuirá o tom das críticas ao Acordo de Paris contra a Mudança Climática após o presidente eleito cogitar deixá-lo.

"Fomos um dos primeiros países a ratificar esse acordo. Pouco a pouco, ele compreenderá a necessidade de manter o país nesse marco global", disse o emedebista.

A reforma da Previdência é considerada por Temer como a principal missão que ficará pendente para o próximo governo. Para o presidente, que crê que Bolsonaro está "totalmente comprometido" com a pauta, a medida é essencial para reduzir o déficit fiscal do país.

Temer também disse que estará preparado para enfrentar as acusações de corrupção contra ele na Justiça assim que deixar o poder, perdendo assim o foro privilegiado.

"A vida me levou à Presidência e isso tem riscos", afirmou Temer.

O emedebista é investigado por corrupção em dois casos envolvendo a JBS e em uma terceira por ter favorecido uma empresa com um decreto que regulava o setor portuário.

Nos dois primeiros casos, a Câmara dos Deputados impediu que o presidente fosse investigado. No entanto, no relativo aos portos, o Ministério Público deu a entender que só acusará Temer formalmente assim que ele deixe o poder.

Para o presidente, as acusações foram seus piores momentos no Planalto. "Sinto que fui e sou vítima de uma injustiça", disse.

"Tenho meio século na política e minha vida sempre foi limpa até chegar à presidência", continuou Temer, que considera que as acusações foram "tramadas" dentro de uma "campanha feroz" da oposição.

Temer disse que quer ser lembrado como um "presidente reformista", que "tentou colocar o Brasil nos trilhos novamente" e que teve sucesso em boa parte de suas medidas, como a aprovação do teto dos gastos públicos e a modernização da reforma trabalhista.

"Só vou sentir falta do 'Fora Temer", ironizou. "Se queriam que eu fosse embora, é porque eu estava dentro", afirmou.

Além disso, Temer falou sobre o baixo apoio popular com o qual deixará o poder. Segundo as últimas pesquisas, apenas 8% da população aprova o governo.

"Nunca me preocupei com o populismo. Estou convencido de que o reconhecimento virá depois", afirmou. Quase rindo de si mesmo, Temer continuou: "Quero deixar claro que minha popularidade nos últimos tempos subiu de 4% para 8%, o que significa que ela se duplicou", brincou o presidente.