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Eleições na República Democrática do Congo são adiadas para 30 de dezembro

20/12/2018 17h21

Kinshasa, 20 dez (EFE).- A Comissão Eleitoral da República Democrática do Congo decidiu nesta quinta-feira adiar para o dia 30 de dezembro as eleições gerais que estavam previstas para o próximo domingo.

"Anunciamos que as votações serão realizadas no domingo, dia 30 de dezembro", disse o presidente da Comissão Eleitoral Nacional Independente (Ceni), Corneille Nangaa, em entrevista coletiva em Kinshasa.

Nangaa explicou que, após a queima de material eleitoral em um incêndio na noite de 12 para 13 de dezembro em um armazém de Kinshasa, a falta de cédulas obriga o adiamento das eleições.

No incêndio, "2.676 máquinas de votação escaparam, 3.500 máquinas foram recuperadas, mas não as cédulas, que temos que encomendar na Coreia do Sul. As máquinas não poderão ficar prontas antes de 25 de dezembro", justificou o responsável da Comissão Eleitoral.

O pleito estavam previsto inicialmente para dezembro de 2016, quando terminava o segundo mandato do presidente, Joseph Kabila, mas a Ceni anunciou então que não seria possível realizar a votação por problemas técnicos, e as eleições foram postergadas desde então.

A Ceni se reuniu durante o dia todo com vários candidatos presidenciais e responsáveis de instituições para discutir a situação.

Os candidatos reunidos com a Ceni também alegaram outros problemas para o adiamento, como a "violência étnica" que existe em certas partes do país, e o surto de ebola no nordeste que causou, até o momento, 326 mortes.

Segundo a lei eleitoral, a votação só pode ser realizada em um domingo ou feriado, daí a decisão de adiar a votação em uma semana.

O calendário e os detalhes do processo eleitoral serão divulgados pela Ceni mais adiante, segundo seu presidente, que informou que a campanha eleitoral será encerrada amanhã, como estava previsto.

A oposição convocou protestos contra este novo adiamento e se mostrou insatisfeita com a decisão.

O candidato da coalizão Lamuka ("Desperta", em lingala), Martín Fayulu, declarou que "depois mais de dois anos depois de atrasos constitucionais, um adiamento é injustificável", em comunicado conjunto com os opositores Jean-Pierre Bemba e Moise Fayulu, cujos partidos integram essa coalizão.

"A Ceni e o governo ilegítimo do senhor Kabila tiveram amplamente o tempo para preparar boas eleições críveis e pacíficas", acrescenta o comunicado, publicado antes do anúncio oficial da Comissão Eleitoral.

Calcula-se que mais de 40 milhões de pessoas votariam neste domingo nas eleições, que podem significar a primeira transferência pacífica de poder da história do maior país da África Subsaariana. EFE

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