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Turquia promete "enterrar" curdos da Síria após anúncio dos EUA

20/12/2018 10h43

Istambul, 20 dez (EFE).- O ministro da Defesa da Turquia, Hulusi Akar, disse nesta quinta-feira, horas depois que os Estados Unidos anunciaram a retirada das suas tropas da Síria, que o exército turco "enterrará" os membros da milícia curdo-síria YPG, aliada de Washington, que permaneçam em áreas fronteiriças com a Turquia.

A retirada das tropas americanas, que até agora apoiaram as YPG na sua luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI), acontece no momento no qual Ancara ameaça realizar uma operação militar no norte da Síria contra as chamadas Unidades de Proteção do Povo (YPG).

O ministro turco reiterou que o exército de seu país avança na preparação dessa ofensiva contra as milícias curdo-sírias, que Ancara considera terroristas por sua vinculação com o proscrito Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha curda na Turquia.

"Agora temos Manbij e o leste do Eufrates diante de nós. Estamos trabalhando intensamente nesta questão", afirmou Akar em declarações feitas em Doha e divulgadas pela agência semioficial turca "Anadolu".

"Parece que (as YPG) escavaram algumas fundações em Manbij e ao leste do Eufrates. Podem cavar túneis ou fundações se quiserem, quando chegar o momento oportuno serão enterradas nessas fundações que cavaram. Que ninguém duvide disso", destacou o ministro.

O presidente dos EUA, Donald Trump, proclamou ontem, em um tweet, a derrota do EI na Síria, e pouco depois a Casa Branca assegurou que a retirada das tropas americanas já começou no país árabe.

A "Anadolu" informou hoje que o ministro de Relações Exteriores turco, Mevlüt Çavusoglu, falou por telefone com seu homólogo americano, Mike Pompeo, pouco depois do citado anúncio de Washington, mas sem dar detalhes sobre a conversa.

O apoio dos EUA às YPG provocou em mais de uma ocasião tensões com a Turquia, que pretende forçar a retirada dessas milícias dos territórios próximos à sua fronteira.

No entanto, as relações entre os países melhoraram desde a recente libertação do pastor americano Andrew Brunson, que passou dois anos preso na Turquia.

Entre outros crimes, a Justiça turca acusa Brunson de terrorismo pela sua suposta vinculação ao pregador islamita Fethullah Gülen, a quem Ancara atribui a tentativa de golpe de Estado de julho de 2016.

"Apesar de termos pontos de vista diferentes em vários temas, demos passos à frente. Há um processo de desenvolvimento positivo. O ambiente é muito melhor que há dois meses", declarou na terça-feira passada Mevlüt Çavusoglu. EFE