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Tsunami deixa pelo menos 168 mortos e 745 feridos na Indonésia

23/12/2018 08h08

Noel Caballero.

Bangcoc, 23 dez (EFE).- Pelo menos 168 pessoas morreram na noite de sábado devido ao tsunami que, sem ativar os alarmes, atingiu o litoral do estreito de Sunda, entre as ilhas de Java e Sumatra, na Indonésia, um número que ainda pode subir, segundo as autoridades.

De acordo com dados da Agência Nacional de Gestão de Desastres (BNPB), 30 pessoas continuam desaparecidas e 745 ficaram feridas. A água provocou graves danos em casas, hotéis, embarcações e outras infraestruturas.

O número de vítimas "pode subir" à medida que os serviços de emergência alcance lugares ainda não vistoriados, afirmou Sutopo Purwo Nugroho, porta-voz da BNPB.

A erupção do vulcão Anak Krakatau - situado entre Java e Sumatra - às 21h de sábado (horário local; 12h em Brasília) provocou um deslizamento de terra submarino que, junto à maré alta pela lua cheia, criou um tsunami que surpreendeu centenas de pessoas nas praias da região 25 minutos depois.

A ausência de um forte terremoto, fenômeno que serve para ativar o sistema de alarmes diante de um possível tsunami, deixou silenciadas as sirenes enquanto se aproximavam as ondas gigantes, explicaram especialistas da Agência Meteorológica, Climatológica e Geofísica da Indonésia (BMKG).

O diretor da BMKG, Rahmat Riyono, afirmou em entrevista coletiva que conforme às informações coletadas pela imprensa, calcula-se que as ondas teriam alcançado uma altura de até dois metros e adentrado cerca 19 metros da costa.

"No caso de terremotos, a possibilidade de um segundo tsunami é muito pequena. Mas como este foi causado por uma erupção, o cenário é diferente", disse Riyono.

O vulcão Anak Krakatau, de 305 metros de altura e "filho" do lendário Krakatoa, expeliu magma, rochas e uma coluna de fumaça a mais de meio quilômetro desde a sua cúpula.

A banda indonésia Seventeen fazia um show na praia de Tanjung Lesung quando o repentino aumento do nível do mar arrastou o palco contra o público.

O vocalista do grupo, Riefian Fajarsyah, confirmou aos fãs a morte do baixista e do empresário da banda e disse que a sua namorada e outros três integrantes estão desaparecidos.

"Quando aconteceu o incidente, muitos turistas estavam nas praias de Pandeglang", no noroeste da ilha de Java, 100 quilômetros a oeste de Jacarta, comentou Sutopo.

Na cidade de Anyer, vizinha a Pandeglang, as casas e edifícios em primeira localizados na beira da praia agora são apenas escombros amontoados, enquanto centenas de moradores locais tentam recuperar móveis e outros pertences. A potência devastadora das águas também arrastou para as praias dezenas de veículos e árvores.

Os serviços de emergência tentam encontrar possíveis sobreviventes entre os escombros e recomendam que a população local evite se aproximar do litoral.

"Muita gente continua nos refúgios, enquanto outros retornaram aos seus lares ou permanecem com parentes. Os voluntários da Cruz Vermelha colaboram com assistência médica e ajudam (os oficiais) na busca de corpos e desaparecidos", explicou Aulia Arriani, porta-voz da Cruz Vermelha da Indonésia.

As autoridades disponibilizaram vários centros de assistência para as vítimas e deslocados, assim como comida, água, remédios e cobertores.

A Indonésia fica localizada sobre o Círculo de Fogo do Pacífico, uma região de grande atividade sísmica e vulcânica que é atingida a cada ano por cerca de sete mil tremores, a maioria moderada.

O tsunami em Sunda acontece dias antes do 14º aniversário do tsunami do Oceano Índico que atingiu o norte de Sumatra e outros 14 países em 26 de dezembro de 2004, deixando 226.500 mortos e desaparecidos, a maior parte na Indonésia. EFE