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Erdogan garante que não deixará curdo-sírios nas mãos de "terroristas"

24/12/2018 15h53

Ancara, 24 dez (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta segunda-feira que não deixará os curdo-sírios nas mãos de milícias que considera terroristas, enquanto o exército turco reforça suas posições na fronteira com a Síria após o anúncio da retirada das tropas americanas do país.

"Por que estamos na Síria agora? Para devolver a liberdade a nossos irmãos sírios, para dar a liberdade a nossos irmãos curdos, não para deixá-los nas mãos de terroristas", declarou Erdogan em discurso pronunciado hoje em Ancara.

"Assim como não deixamos os árabes nas mãos" do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), não permitiremos que os curdo-sírios sejam vítimas da crueldade do PKK e das YPG", acrescentou Erdogan.

Erdogan se referia assim às milícias curdo-sírias Unidades de Proteção do Povo (YPG, na sigla em curdo), que ele considera um mero braço do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo), a guerrilha curda ativa na Turquia.

A agência turca "Anadolu" informou hoje que forças sírias apoiadas pela Turquia no noroeste do país árabe estão preparando um ataque contra as milícias curdo-sírias que dominam a cidade de Manbij, situada a oeste do rio Eufrates.

"Nossas unidades avançaram para tomar contato com as zonas sob ocupação dos terroristas", disse à agência citada um comandante das milícias pró-turcas, o chamado Exército Livre da Síria (ELS), que se identificou como Abu Yazan.

As YPG dominam tanto Manbij como grandes partes do nordeste da Síria e, até agora, tinham sido o principal aliado dos EUA na luta contra os jihadistas no país árabe.

Unidades treinadas da divisão Hamza, que faz parte do ELS, posicionaram armamento pesado e veículos blindados tanto na linha de frente das YPG como na das regiões sob controle do regime de Bashar al Assad, segundo a "Anadolu".

Essas unidades vão colaborar em um provável próximo ataque das forças turcas contra Manbij, afirmou a agência.

A Turquia está enviando desde sábado comboios de tropas e blindados à fronteira síria, e parte deles já entraram através da província de Kilis no território que Ancara controla junto ao ELS ao norte de Aleppo.

Hoje mesmo, foi registrada a passagem por Kilis de um comboio de blindados que inclui caminhões carregados com tanques e com morteiros, também destinado à Síria.

Esses preparativos acontecem apenas dias depois que os Estados Unidos anunciaram a retirada de suas tropas no nordeste da Síria, alegando que já concluiu a derrota do EI.

As autoridades turcas anunciaram que pretendem tomar o lugar dos Estados Unidos na região, coordenando sua entrada com a retirada americana, para evitar que o EI volte a expandir sua presença.

Mas, sobretudo, a Turquia tem como objetivo expulsar da região as milícias curdas que até agora lutavam contra o EI em aliança com os Estados Unidos e cujas conquistas territoriais na Síria eram vistas com receio por Ancara. EFE