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Pai de espiã russa presa nos EUA faz vaquinha para pagar advogados da filha

25/12/2018 16h54

Moscou, 25 dez (EFE).- O pai de Maria Butina, a jovem russa presa nos Estados Unidos por conspirar contra o país, criou uma vaquinha para arrecadar dinheiro para bancar as despesas com os advogados americanos que defendem sua filha.

"Criamos a Fundação Maria Butina. Arrecadamos dinheiro para pagar os advogados. Eles são muito caros. Nesse momento, nossa dívida é de 30 milhões de rublos (cerca de US$ 400 mil)", disse Valery Butin em entrevista coletiva realizada em Moscou.

Butin destacou que o objetivo da família é manter os advogados que estão atualmente representando sua filha, que confessou recentemente ter trabalhado para o governo da Rússia.

"A estratégia é conseguir que em fevereiro ela seja libertada. Aprovamos como a defesa está se comportando. Para nós, um final feliz seria que ela fosse deportada", disse ele.

O pai da espiã lamentou o fato de a filha estar sendo mantida em uma cela individual depois de mais de três meses na prisão e pela postura das autoridades americanas, que não dão explicações nem aos advogados de Butina nem aos representantes consulares russos.

"Ela está suportando muito bem os meses de reclusão, apesar das duras condições que as autoridades americanas preparam", afirmou.

Segundo o pai da espiã, os agentes penitenciários acordam sua filha a cada 15 minutos, jogando uma lanterna contra o rosto dela.

Na semana passada, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, negou que Butina trabalhasse para o governo do país.

"Eu não entendo o que é que ela confessou, já que não cumpria nenhuma missão do governo ou dos órgãos estatais. Isso eu posso garantir, independentemente do que ela tenha dito sob influência das ameaças de uma pena de prisão de 12 ou1 5 anos", disse Putin durante a entrevista coletiva que concede ao fim de todos os anos.

Putin também afirmou que o Kremlin está acompanhando a situação de Butina e ressaltou que não há motivos para que ela siga presa.

A russa, de 30 anos, foi presa em julho e confessou ter conspirado contra os Estados Unidos.

Ela admitiu que atuou em coordenação com funcionários das russas para criar uma rede de influência na política americana e aceitou cooperar com as autoridades dos EUA.

Caso seja condenada, Butina pode ficar na prisão por no máximo cinco anos. EFE