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Internacional

Sem acordo, paralisação do governo dos EUA está longe do fim e afeta bolsas

25/12/2018 16h13

Beatriz Pascual Macías.

Washington, 25 dez (EFE).- A paralisação parcial do governo dos Estados Unidos completou o quarto dia hoje depois de ter provocado fortes quedas nas bolsas e longe de um acordo sobre os recursos que o presidente Donald Trump quer para construir o muro na fronteira.

O Senado, que comanda as discussões sobre o orçamento, se reunirá na quinta-feira para tentar desbloquear o governo, mas Casa Branca e democratas não estão dispostos a ceder. Por isso, até mesmo os mais otimistas acham que a situação só vai se resolver em janeiro.

"Não posso te dizer quando o governo vai voltar ao normal", reconheceu Trump em entrevista coletiva concedida hoje.

"Não (ocorrerá) até que tenhamos um muro, uma cerca, como queiram chamá-lo. Chamarei como eles quiserem, mas é tudo a mesma coisa. É uma barreira contra as pessoas que chegam ao nosso país, é uma barreira contra as drogas. Há um problema que se chama tráfico de pessoas, não vamos deixar isso acontecer", completou.

Trump voltou a afirmar que o Congresso deve incluir no orçamento US$ 5 bilhões para o muro, mas os democratas se negam a ceder e, por enquanto, só topam destinar US$ 1,3 milhão para a segurança na fronteira e com restrições para impedir que o dinheiro seja utilizado pelo governo para erguer a barreira na fronteira.

Além disso, o presidente antecipou que, em janeiro, visitará alguns trechos do muro construídos antes dele chegar ao poder.

Em comunicado, os líderes democratas no Senado, Chuck Schumer, e na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, afirmaram que será difícil chegar a um acordo com Trump porque a Casa Branca "não tem uma opinião unificada". Segundo eles, cada membro do governo tem uma visão diferente sobre o que o presidente pode topar.

Além disso, os democratas acusaram Trump de estar "afundando o país no caos" com os ataques ao Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, com a renúncia do secretário de Defesa, James Mattis, e com a própria paralisação do governo.

As bolsas americanas não operam hoje devido ao Natal, mas os principais índices de Tóquio e Xanguai sofreram o impacto da queda registrada ontem em Wall Street.

O Dow Jones Industrial, o principal indicador da Bolsa de Nova York, caiu mais de 650 pontos, na pior véspera de Natal da história.

De acordo com analistas, as bolsas reagiam mal às conversas entre o secretário de Tesouro, Steven Mnuchin, com os diretores dos seis principais bancos americanos.

Em comunicado, Mnuchin disse que os executivos afirmaram que os bancos têm "ampla liquidez disponível" para realizar empréstimos aos consumidores, aos investidores e outras operações de mercado.

Para o analista econômico Neil Irwin, o comunicado, que tinha como objetivo tranquilizar os investidores, causou ainda mais pânico. Segundo ele, não passava na cabeça do mercado qualquer preocupação com a liquidez dos bancos, um assunto que agora domina as rodas de conversa depois das declarações do secretário.

Também contribuíram os ataques de Trump ao Fed. No Twitter, o presidente considerou a instituição como o "único problema" da economia americana, uma declaração que rompe com o tradicional respeito que a Casa Branca tem pela independência do banco central.

Para o presidente, o atual ritmo de elevação das taxas de juros imprimido pelo Fed ameaça a aceleração do crescimento da economia.

Segundo a imprensa local, Trump está irritado com a nova alta dos juros determinada pelo Fed na semana passada e chegou a cogitar demitir o presidente da instituição, Jerome Powell. No entanto, Mnuchin afirmou que ele seguirá no cargo.

Apesar das quedas na bolsa, a economia americana vive um bom momento, com taxas de desemprego de 3,7%,, o menor nível há mais de 50 anos, e com uma inflação que está perto do nível planejado nas metas do governo, que é de 2%. EFE

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