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Ex-ministro boliviano pede que Bolsonaro desconvide Morales para posse

27/12/2018 21h50

Miami, 27 dez (EFE).- O ex-ministro boliviano Carlos Sánchez Berzaín pediu nesta quinta-feira ao presidente eleito Jair Bolsonaro que não convide o presidente da Bolívia, Evo Morales, para sua cerimônia de posse no próximo dia 1º de janeiro.

Sánchez Berzaín escreveu uma carta para Bolsonaro, citando os recentes anúncios feitos pelo novo governo para desconvidar Cuba, Venezuela e Nicarágua para posse, afirmando que Morales também é um ditador e lidera um "regime de crime organizado".

"Três ditadores de Cuba, Venezuela e Nicarágua não serem convocados para a posse do presidente democrático do Brasil e Morales sim seria um prêmio e um grande benefício para ele, que seguirá simulando uma legitimidade de democracia que não tem", escreveu o político boliviano na carta.

O ex-ministro cita especificamente um tweet publicado por Bolsonaro no dia 16 de dezembro. Na mensagem, o presidente eleito diz que não estarão na sua posse representantes de "regimes que violam as liberdades dos seus povos e atuam abertamente contra o futuro governo do Brasil por afinidade ideológica com o grupo derrotado nas eleições".

Ministro da Defesa de Gonzalo Sánchez de Lozada, que renunciou em outubro de 2003 à presidência da Bolívia em meio a uma grande crise política e social, Sánchez Berzaín diz que Morales é responsável por violações iguais ou mais graves do que as cometidas em Cuba, Nicarágua ou Venezuela. E que também atua contra o futuro governo brasileiro.

Atual diretor-executivo do Instituto Interamericano para a Democracia, com sede em Miami, o ex-ministro boliviano enumera na carta motivos pelos quais acredita que Bolsonaro deveria retirar o convite de Morales para a posse: violações de direitos humanos, falta de independência de poderes, inexistência do Estado de direito e institucionalização da perseguição político-judicial.

"Como consequência há mais de uma centena de presos políticos e mais de 1,2 mil exilados políticos", afirma o ex-ministro, que se identifica como um desses exilados no fim da carta.

Além disso, Sánchez Berzaín cita a tentativa de Morales de concorrer à reeleição em 2019 apesar de os bolivianos terem negado essa possibilidade em um referendo realizado em 2016.

"Com a decisão infame do Tribunal Constitucional e manipulações do Tribunal Supremo Eleitoral - ambos sob seu controle - Morales se habilitou como candidato. Hoje na Bolívia há mais de 200 cidadãos em greve de fome e protestos exigindo respeito ao resultado do referendo", explicou Sánchez Berzaín.

O ex-ministro também recomenda que Bolsonaro revise e torne públicas todas as questões relativas a contratos entre Brasil e Bolívia assinados depois que o PT chegou ao Palácio do Planalto.

"Os regimes ditatoriais castrochavistas nas Américas são Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia que, com os mesmos mecanismos e crimes, organizados e articulados entre si, oprimem seus povos e ameaçam as democracias como a do Brasil", escreveu o ex-ministro. EFE

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