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Internacional

Otan diz que Rússia não demonstra vontade de cumprir tratado nuclear

25/01/2019 13h05

Bruxelas, 25 jan (EFE).- O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou nesta sexta-feira que a Rússia não demonstrou "nenhuma vontade" de voltar a cumprir o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), mas que ainda há tempo, antes que os Estados Unidos concretizem a saída do acordo.

"Não houve verdadeiro progresso na reunião porque a Rússia não demonstrou nenhuma vontade de mudar a sua posição, mas ainda tem oportunidade de voltar a cumpri-lo", disse Stoltenberg em entrevista coletiva ao término do primeiro encontro do Conselho Otan-Rússia do ano.

O diplomata disse que a reunião de embaixadores foi "útil e profissional", embora tenha constatado que Otan e Rússia têm "desacordos fundamentais" sobre a crise separatista no leste da Ucrânia, região em mãos de forças pró-russas, e sobre o tratado INF.

O tempo pressiona porque os Estados Unidos já anunciaram que deixarão esse tratado, já que a Rússia não o cumpre. O governo americano iniciará no dia 2 de fevereiro o processo de seis meses para se desvincular.

"Um tratado não tem valor se não é respeitado", enfatizou Stoltenberg, ao insistir que todas as partes que o assinam devem cumpri-lo para que seja eficaz.

A Otan argumenta que a Rússia desenvolveu novos mísseis com capacidade nuclear na Europa que poderiam alcançar cidades do Velho Continente e reduzir o tempo de alerta, por isso a responsabiliza de violar o tratado.

Apesar da inércia de Moscou sobre o assunto, Stoltenberg apelou para o otimismo e disse que a Rússia ainda tem uma "janela de oportunidade" se voltar a respeitar o INF antes de 2 de fevereiro.

"Mas, mesmo que não volte antes de 2 de fevereiro, haverá (ainda) uma nova janela de oportunidade, porque o processo de retirada (dos EUA) levará seis meses. A responsabilidade de preservar o tratado recai sobre a Rússia", comentou.

Para Stoltenberg, "o problema é a existência de novos mísseis russos na Europa, o que mina o tratado", e "por isso os aliados da Otan urgem firmemente para que a Rússia volte a cumpri-lo de maneira transparente e verificável".

"Não queremos uma nova corrida armamentista. Queremos iniciativas de controle de armas", ressaltou.

Na última reunião, realizada em 4 de dezembro do ano passado, os ministros das Relações Exteriores aliados deixaram nas mãos da Rússia a continuidade do tratado, enquanto os EUA deram um ultimato ao governo russo: caso não voltasse a respeitá-lo em 60 dias, iniciaria o processo para sair.

"É um tratado crucial para a segurança transatlântica, mas agora está em perigo. E, infelizmente, não há sinais de avanços", lamentou Stoltenberg.

O político norueguês declarou que "é cedo para saber o que a Otan fará se a Rússia continuar violando o tratado", mas ressaltou que o assunto voltará a ser debatido. EFE

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