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Dor, tensão e expectativa marcam os trabalhos de resgate em Brumadinho

27/01/2019 17h55

Carlos Meneses Sánchez.

Brumadinho (Minas Gerais), 27 jan (EFE).- A tragédia do rompimento de uma barragem de rejeitos minerais em Brumadinho, em Minas Gerais, completou 48 horas no início da tarde deste domingo, em meio a grande expectativa pelos trabalhos de resgate, que tiveram que ser paralisados pelo risco de um novo incidente.

Os dados oficiais apontam que 37 corpos foram localizados até o momento, sendo que apenas 16 puderam ser identificados. Além disso, 287 pessoas ainda não fizeram contato, 192 foram resgatadas com vida e 361 foram localizadas, após terem sido consideradas desaparecidas, segundo a Defesa Civil mineira.

Hoje, por volta de 5h (horário de Brasília), as sirenes de alerta soaram na região atingida pela lama, devido a identificação do risco do rompimento de uma segunda barragem da companhia de mineração Vale. Todos que estavam no local que poderia ser atingido foram orientados a sair da área.

No começo da tarde, familiares de pessoas desaparecidas pressionaram as autoridades para a retomada das buscas, já que os bombeiros trabalham com a possibilidade de encontrar mais pessoas com vida. Para quem perdeu tudo ou aguarda notícias positivas, foi mais um momento de dor.

"É o momento mais triste que Brumadinho já viveu até hoje", disse o prefeito Avimar de Melo, em entrevista coletiva.

No acesso a uma ponte, Joaquim Cândido, de 68 anos, aguarda sentado o momento em que poderá atravesar. O homem se dirige ao Instituto Médico Legal (IML), onde busca entrar o genro, de 47 anos, que passou 30 deles trabalhando para a Vale.

"Ele está desaparecido. Ninguém dá informação. A Vale não dá informação. Ninguém dá", lamentava o aposentado.

Durante o dia, uma situação alertou o Corpo de Bombeiros, que tirou alguns homens para verificarem as informações sobre uma ponte de uma ferrovia, parcialmente destruída pela lama.

"A situação é bastante caótica. Viemos aqui devido haver pessoas, até crianças, em cima da ponte. Fomos avisados por rádio, porque o viaduto está rachado e pode cair a qualquer momento", explicou à Agência Efe o bombeiro Leôncio Valverdes.

Enquanto os homens da corporação trabalham no resgate, prevenção e orientação, os médicos seguem fazendo a identificação dos corpos que, segundo as próprias autoridades, muitas vezes estão sendo encontrados de forma parcial.

O número de vítimas já superou o registrado em 2015, quando 19 pessoas morreram depois do rompimento de uma barragem da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela BHP, em Mariana, também em Minas Gerais.

"Esperávamos que a Vale tivesse aprendido a lição com o que ocorreu em Mariana", afirmou o prefeito de Brumadinho.

A Justiça de Minas Gerais expediu na noite deste sábado mais uma decisão de bloqueio de R$ 5 bilhões da Vale, devido ao rompimento da barragem em Brumadinho, atendendo assim, pedido do Ministério Público estadual.

O objetivo da medida é garantir recursos e reparar os danos causados as pessoas atingidas pela tragédia. Ontem, já havia sido determinado um bloqueio no mesmo montante, também a partir de solicitação da promotoria mineira.

Já o governo de Minas Gerais conseguiu um bloqueio de R$ 1 bilhão, também acatado pela justiça. Com isso, o valor total chega a R$ 11 bilhões.

Além disso, a companhia de mineração recebeu duas multas, uma do Ibama, de R$ 250 milhões e outra do governo estadual de R$ 99 milhões, por causa do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. EFE