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Reportagens sobre crises e corrupção se destacam nos Prêmios Rei da Espanha

31/01/2019 20h24

Madri, 31 jan (EFE).- Reportagens sobre crises políticas e sociais, a corrupção e a proteção ambiental se destacaram nos Prêmios Internacionais Rei da Espanha de Jornalismo, que reconheceram nesta quinta-feira jornalistas e meios de comunicação ibero-americanos.

Profissionais de Brasil, México, Nicarágua, Argentina, Bolívia, Espanha e Portugal, entre outros, junto ao linguista e articulista espanhol Francisco Moreno e a agência de imprensa brasileira Amazônia Real conquistaram os prêmios.

A Amazônia Real, uma iniciativa sem fins lucrativos centrada nos povos indígenas e na proteção ambiental, foi distinta com o Prêmio ao Meio de Comunicação Destacado da Ibero-América.

"É um prêmio que dará repercussão a denúncias de moradores da Amazônia que, apesar de nunca terem sido escutados, confiaram no nosso trabalho", disse à Agência Efe a editora executiva, Kátia Brasil.

Os outros brasileiros reconhecidos, nesse caso pelo Prêmio de Televisão, foram os responsáveis por uma reportagem sobre piratas na Amazônia transmitida pela "Record TV".

A equipe premiada é formada por Marcelo Magalhães, Daniel Motta, Domingos Meirelles, Anna Paula Mello, Gustavo Costa, Caio Laronga, Lucas Augusto, Victor Haar, Leandro Pasqualin, Lucas Mioni, Rafael Ramos; Renan Larangeira; Daniel Salvia; Demétrius Argyriou; Pablo Soares e Rafael Gomide.

Por sua vez, o nicaraguense Wilfredo Ernesto Miranda Aburto foi reconhecido com o Prêmio Ibero-Americano de Jornalismo por um artigo de investigação sobre a repressão dos protestos contra o governo da Nicarágua, que deixou centenas de mortos no ano passado.

A reportagem, divulgada na publicação "Confidencial", documentou o uso de franco-atiradores e armas de guerra em vários incidentes.

Miranda disse à Efe sentir-se "honrado e ditoso de conseguir o prêmio jornalístico mais importante da Ibero-América", mas também com vontade de que o prêmio "sirva para que a barbárie que sofreram milhares de compatriotas seja vista além das fronteiras" do seu país.

Já os argentinos Diego Cabot, Candela Ini e Santiago Nasra, do jornal "La Nación", obtiveram o Prêmio de Imprensa pelo artigo "Los cuadernos de las coimas" sobre a corrupção no governo de Cristina Kirchner.

Por outra parte, a equipe boliviana formado por Roberto Navia, Clovis de la Jaile, Nelfi Fernández, Lizeth Vargas, Eldon Centella, Miguel Ángel Roca, Mary Luz Soruco, Marco León e Fouad Landívar recebeu o Prêmio Especial Ibero-Americano de Jornalismo Ambiental e Sustentável por um trabalho multimídia de denúncia da caça ilegal e indiscriminada de jaguares na Bolívia, e publicado no jornal "El Deber" e no provedor Mongabay Latam.

Navia, que dedicou o prêmio à sua família, ao jornal "El Deber" e "a quem está lutando pelo meio ambiente", também conquista assim o prêmio Rei da Espanha pela segunda vez.

O Prêmio de Jornalismo Digital, por sua vez, foi para uma série de reportagens publicadas pelos portais "Univisión" e "El Faro" de El Salvador sobre as migrações provocadas pela violência no Triângulo Norte da américa central.

A equipe multidisciplinar da série está formado por Maye Primera; Andrea Patiño; Almudena Toral; Brent Toombs; Devin Burns, Nacho Corbella; Óscar Martínez; Carlos Martínez; Fred Ramos; Víctor Peña; Mauricio Rodríguez-Pons; Ricardo Weibezahn; Juanje Gómez; Andrés Góngora; Daniel Reyes e Luis Melgar.

O grupo premiado ainda conta com Andrés Barajas; Paola Duque; Fabián Padilla, Christian Mora; Melvin Félix; Javier Figueroa; Juliana Jiménez; Saul Hudson; Juan Tamayo; Jessica Weiss; Julie Schwieter e David Adams.

O Prêmio de Fotografia foi para o português Nuno Andrés Ferreira, da agência "Lusa", por uma imagem do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto consolava um idoso durante uma visita às cidades do centro do país que foram gravemente afetadas pelos incêndios florestais de 2017.

Além disso, o veterano apresentador de noticiários televisivos mexicano Joaquín López-Dóriga, nascido na Espanha, recebeu uma menção honrosa especial pela sua longa carreira.

Já a equipe da emissora "Cadena Ser" da Espanha, formada por Conchi Cejudo, Javier del Pino e Gervasio Sánchez, obteve o Prêmio de Rádio pela série de documentários sonoros "Vidas enterradas", que procura tirar do esquecimento famílias das vítimas da Guerra Civil espanhola (1936-1939) e do regime franquista (1939-1975).

O outro premiado espanhol foi Francisco Moreno, com o XV Prêmio Don Quixote pelo artigo "La represión lingüística del español en Estados Unidos", publicada pela edição em espanhol do jornal "The New York Times".

Nesta 36ª edição dos prêmios, que são oferecidos pela Agência Efe e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional, do Ministério das Relações Exteriores da Espanha, concorreram 200 trabalhos de 18 países.

O júri dos prêmios, patrocinados pelo Grupo Suez, foi liderado pelo presidente da Efe, Fernando Garea, e formado por outros cinco veteranos jornalistas da Ibero-América e do Reino Unido. EFE