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AI denuncia atrocidades do Exército birmanês em ofensiva contra rebeldes

11/02/2019 00h32

Yangun (Mianmar), 11 fev (EFE).- O Exército de Mianmar bloqueou o acesso à ajuda humanitária, bombardeou povoados e fez detenções arbitrárias durante a operação militar lançada no começo do ano contra um grupo rebelde no estado Rakain, denunciou nesta segunda-feira a Anistia Internacional (AI).

Pelo menos 5.200 pessoas, segundo as Nações Unidas, foram deslocadas por causa dos combates que começaram no dia 4 de janeiro quando guerrilheiros do Exército Arakan atacaram quatro delegacias, em uma ação coordenada onde morreram 13 policiais.

Em resposta a essa ofensiva, o Exército iniciou uma operação militar com o objetivo de "aniquilar" os insurgentes, qualificados de "terroristas" pelo governo.

Os militares bombardearam com artilharia várias populações, segundo relataram à AI alguns deslocados, que também denunciam o roubo e saque dos seus lares abandonados por parte do Exército.

As autoridades estabeleceram restrições para a entrada de ajuda humanitária procedente de organismos internacionais, exceto a Cruz Vermelha e o Programa Mundial de Alimentos da ONU, a cinco distritos onde foram registrados confrontos.

Segundo denunciou uma testemunha à ONG, o Exército também impõe restrições à compra e venda de produtos básicos como arroz, o que provocou a falta de abastecimento em alguns assentamentos.

"As autoridades da Mianmar brincam deliberadamente com as vidas e os meios de vida dos civis. Como vimos várias vezes, a prioridade do Exército não é proteger as pessoas, mas ocultar seus abusos", disse em comunicado a diretora de Resposta de Crise da AI, Tirana Hassan.

Os soldados, além disso, fazem detenções arbitrárias como a do líder comunitário Aung Tun Sein, acusado de informar aos rebeldes dos movimentos das tropas governamentais, segundo a AI.

Pelo menos 26 pessoas, segundo o portal "Irrawaddy", foram detidas na região por violar as leis de Associação Ilegal, delito punido com duras penas de prisão.

"Estas operações são outra lembrança de que o Exército de Mianmar opera sem nenhum respeito aos direitos humanos", explicou Tirana.

O Exército Arakan, formado em 2009 para conseguir pela luta armada uma maior autonomia da minoria budista rakain, a majoritária do estado do mesmo nome, é um dos diversos grupos rebeldes que se levantaram em armas em Mianmar.

Dentro do complexo emaranhado de conflitos birmaneses, muitos rakain também enfrentam os rohingyas, uma comunidade de maioria muçulmana em Rakain à qual as autoridades negam a cidadania e qualificam de "imigrantes bengalis". EFE

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