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Boris Johnson apoia política "global" para Reino Unido pós "Brexit"

2019-02-11T14:38:00

11/02/2019 14h38

Londres, 11 fev (EFE).- O ex-ministro das Relações Exteriores do Reino Unido Boris Johnson, possível candidato à liderança conservadora, defendeu nesta segunda-feira uma política "global" para o país após o "Brexit", com pilares como o livre-comércio e a liberdade de expressão.

Johnson participou em Londres de um evento nos escritórios do Parlamento britânico para apresentar um documento elaborado pelo deputado conservador Bob Seely e o analista James Rogers, membro da Sociedade Henry Jackson (especializada em política externa), e que faz propostas sobre o futuro do país após o "Brexit".

"É hora de unirmos muitos de nossos amigos no mundo que acreditam em um verdadeiro Reino Unido global, um projeto que é totalmente condizente com a história deste país", disse Johnson.

De acordo com as recomendações do documento, que propõe integrar e reorganizar o trabalho de alguns departamentos do governo, um Reino Unido "global" deve defender o "livre-comércio, a liberdade diante da opressão e a liberdade de pensamento".

O político ressaltou a "enorme influência", na sua opinião, que o Reino Unido ainda tem no mundo e que ficou refletida na expulsão de diplomatas russos por vários países em solidariedade a Londres pelo caso Skripal.

O ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha Yulia permaneceram várias semanas hospitalizados em Salisbury, na região central da Inglaterra, após serem envenenados no ano passado com um agente tóxico de fabricação militar russa, incidente que criou uma profunda crise diplomática entre o Reino Unido e a Rússia.

Londres tem "relações profundas e extraordinárias com muitas partes do mundo. O Reino Unido é global pela sua história, o seu comércio, pela imigração e emigração", segundo o documento.

Entre outras coisas, o texto propõe potencializar o trabalho do serviço mundial da emissora "BBC" como defensora dos valores britânicos.

Também propõe reorganizar o orçamento destinado à cooperação internacional para evitar a burocracia e que a ajuda "chegue" aos países que mais precisam.

"Isto para nós é fazer com que o Ministério de Cooperação Internacional faça melhor o seu trabalho", disse Seely.

Para Johnson, o orçamento de ajuda "é algo que nos faz ganhar amigos e admiradores no mundo todo".

O Reino Unido tem a data de 29 de março como limite para sua saída da União Europeia e, à margem das negociações para conseguir algum tipo de acordo sobre o "divórcio" britânico, há um debate entre o mundo acadêmico e político sobre o futuro do país e suas relações internacionais após o "Brexit". EFE