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Morre congressista dos EUA que se arrependeu de apoiar guerra do Iraque

11/02/2019 15h10

Washington, 11 fev (EFE).- O congressista dos Estados Unidos Walter Jones, que ganhou notoriedade nos últimos anos por ter se arrependido de seu apoio à intervenção militar no Iraque, morreu neste domingo em consequência de uma queda sofrida em sua residência em janeiro deste ano, informou seu escritório em comunicado.

Jones, de 76 anos, representou durante 24 anos o estado da Carolina do Norte pela bancada do Partido Republicano, mas iniciou sua carreira política como membro do Partido Democrata.

"O congressista Jones será lembrado por sua honestidade, fé e integridade. Nunca teve medo de se posicionar em função de seus princípios. Era conhecido por sua independência e amplamente admirado por todo o espectro político. Muitos não estiveram de acordo com ele, mas todos reconhecem que ele sempre fez o que considerou correto", diz a nota.

Jones apoiou em 2002 o então presidente, o republicano George W. Bush, em sua decisão de invadir o Iraque com base nos relatórios de inteligência que apontavam que o governo de Saddam Hussein estava desenvolvendo um arsenal de armas de destruição em massa.

O apoio do congressista a essa decisão foi tal que, em 2003, diante das críticas do governo francês à intervenção militar americana, promoveu uma medida para mudar na cafeteria do Capitólio o nome das "batatas fritas" ("french fries", em inglês) por "batatas da liberdade" ("freedom fries").

Apenas um ano depois, em 2004, um relatório elaborado por inspetores americanos com apoio das principais agências de inteligência constatou que as suspeitas sobre a produção de armas de destruição em massa no Iraque eram infundadas.

No entanto, não foram estas as conclusões que inicialmente levaram Jones a se arrepender de seu apoio à guerra, mas o seu comparecimento ao funeral de um sargento da infantaria da marinha que morreu no país árabe devido à explosão de uma granada.

Após conversar durante o sepultamento com a família do militar, o político chegou à conclusão de que o custo humano do conflito armado era intolerável.

Por causa desse episódio, o republicano começou a escrever com regularidade aos familiares dos militares americanos mortos nos diferentes conflitos em que tomavam parte as forças armadas americanas.

"Assinei mais de 12 mil cartas a familiares que perderam seus entes queridos nas guerras do Iraque e do Afeganistão; esta foi a maneira que encontrei de pedir a Deus que me perdoe pelo meu erro", confessou Jones em entrevista concedida à emissora "NPR" em 2017. EFE