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Maduro determina fechamento da fronteira da Venezuela com o Brasil

21/02/2019 15h38

(Corrige título e segundo parágrafo).

Caracas, 21 fev (EFE).- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, determinou nesta quinta-feira o fechamento da fronteira do país com o Brasil e avalia fazer o mesmo com a Colômbia, uma medida tomada para impedir a entrada no território venezuelano da ajuda solicitada pela oposição à comunidade internacional.

"Decidi que no sul da Venezuela, a partir das 20h (21h em Brasília) de hoje, ficará fechada total e absolutamente, até novo aviso, a fronteira terrestre com o Brasil", disse Maduro em uma reunião com militares no Forte Tiuna, o maior quartel do país.

O Brasil está entre os cerca de 50 países que reconhecem o chefe da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como presidente interino do país. Em Roraima, na fronteira entre os dois países, estão sendo armazenados mantimentos e remédios para serem doados a pedido da oposição ao chavismo, que se nega a recebê-los.

Maduro reiterou hoje que as doações são parte de um "show" com objetivo de invadir o país militarmente e tirá-lo do poder.

Pelo mesmo motivo, o presidente da Venezuela disse estar avaliando o fechamento da fronteira com a Colômbia. A cidade de Cúcuta também está sendo usada como um centro de distribuição da ajuda internacional enviada ao povo venezuelano.

"Em 2015, tomei a decisão de fechar a fronteira com a Colômbia de maneira temporária. Não quero ter que tomar uma decisão dessas características, mas estou avaliando um fechamento total da fronteira. Um homem prevenido vale por dois", disse Maduro.

O líder chavista disse que o envio da ajuda é pretexto para a entrada de militares estrangeiros na Venezuela e acusou o presidente da Colômbia, Iván Duque, de qualquer ato de violência que possa ocorrer na fronteira entre os dois países.

No entanto, no mesmo discurso, Maduro disse ter informações confiáveis de que os militares colombianos decidiram não realizar qualquer ataque contra a Venezuela.

"Os militares colombianos se negaram a ajudar uma agressão contra sua irmã Venezuela. Militares da Colômbia: honra máxima", afirmou.

Sem apresentar provas, Maduro ainda afirmou que os alimentos armazenados na fronteira com Brasil e Colômbia são "cancerígenos".

Maduro também falou sobre o corte das comunicações com as ilhas de Aruba, Bonaire e Curaçao e disse que foi obrigado a tomar essa decisão porque elas estavam preparando uma provocação.

"Quero as melhores relações com Aruba, Bonaire e Curaçao, relações de comércio, de turismo e de irmandade. Mas com respeito. É muito pedir respeito?", questionou Maduro.

A crise política venezuelana se agravou em janeiro do ano passado, quando Maduro tomou posse para um segundo mandato de seis anos não reconhecido pela oposição e por parte da comunidade internacional. Foi então que Guaidó se autoproclamou presidente interino do país e prometeu a convocação de eleições gerais.

Guaidó estabeleceu como prioridade a entrada da ajuda internacional para atender a 250 mil pessoas em situação de vulnerabilidade e prometeu que esses mantimentos entrarão no país no próximo sábado, apesar dos bloqueios montados por Maduro. EFE