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Nova coalizão centrista israelense cria alternativa real a Netanyahu

21/02/2019 19h02

Laura Fernández Palomo.

Jerusalém, 21 fev (EFE).- Uma aliança centrista, formada no último minuto e liderada pelo popular candidato eleitoral e ex-chefe do Estado-Maior Benny Gantz, emerge como uma alternativa real de governo em Israel que ameaça a continuidade do atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

"Pela primeira vez desde 2009, estamos entrando em uma verdadeira corrida eleitoral", afirmou Yohanan Plesner, presidente do Instituto para a Democracia de Israel.

Gantz se posicionou nas pesquisas de intenções de voto em segundo lugar antes mesmo de apresentar o nome da sua nova legenda, Resiliência para Israel, que nesta quinta-feira formalizou sua aliança com o deputado israelense Yair Lapid, líder do partido centrista opositor Yesh Atid.

A primeira pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela emissora "Canal 13" já lhe dão uma vantagem de dez cadeiras sobre as 26 que seriam obtidas pelo Likud de Netanyahu (de um total de 120 na Câmara).

Registrada com o nome "Azul e branco" - as cores da bandeira de Israel -, a coalizão inclui o partido Telem do ex-ministro de Defesa, Moshe Yaalon, também ex-chefe do Estado-Maior, da mesma forma que Gabi Ashkenazi, que também integrará a candidatura.

Os três ex-generais e o ex-jornalista Lapid ocuparão as primeiras posições da lista eleitoral que nesta quinta-feira, último dia de registro, foi apresentada no Comitê Nacional Eleitoral.

Netanyahu já adotou uma postura ofensiva durante a entrevista coletiva que ofereceu nesta quinta-feira e acusou os líderes do novo bloco de apoiar o acordo nuclear com o Irã e os partidos árabes que não só não reconhecem o Estado de Israel, mas querem destrui-lo, segundo informou a imprensa local.

"Só um Likud amplo pode evitar um governo de esquerda", disse o primeiro-ministro em alusão ao novo bloco centrista.

Netanyahu chegou a cancelar nesta quarta-feira sua prevista viagem a Moscou para se reunir com o presidente russo, Vladimir Putin, e ficou em Israel na busca de alianças com outras legendas de direita para resistir ao previsível potente bloco Gantz-Lapid.

Em negociações antecipadas, ofereceu dois ministérios ao ultranacionalista Lar Judaico em troca de que se unam à controversa facção de extrema-direita Otzma Yehudit (Poder Judaico), considerada pela imprensa "uma sucessora racista do partido proibido Kach".

O movimento foi questionado em Israel já que é formado por partidários do rabino assassinado Meir Kahane, deputado nos anos 80 que impulsionava iniciativas antiárabes e contra o casamento e o sexo entre judeus e não judeus, e que foi inabilitado mais tarde porque seu partido, o Kach, foi considerado racista e terrorista pelas autoridades israelenses, razão pela qual foi ilegalizado.

"Só há uma explicação para o estranho comportamento de Netanyahu: está entrando em pânico. As pesquisas dão ao bloco da ala direita uma clara vantagem. Não deveria se sentir pressionado", avaliou o articulista Ben-Dror Yemini no jornal "Yedioth Ahronoth".

Entre o bloco de direita e o centrista, os analistas esperam uma "concorrida" campanha para eleições que Netanyahu, investigado por corrupção, aceitou antecipar convencido de que revalidaria sua liderança, o que lhe protegeria diante de um possível processo judicial.

De forma independente, se apresentarão o partido Novo Direito - recém formado pelo ministro de Educação, Naftali Benet, após sua saída de Lar Judaico - as formações ultraortodoxas Shas e Judaísmo Unido da Torá, o Partido Trabalhista e o centrista Kulanu, cujo líder, Moshé Kajlón, é hoje membro da coalizão governamental como ministro de Finanças.

Para Abraham Diskin, professor emérito de Ciência Política na Universidade Hebraica de Jerusalém, o importante, além do resultado eleitoral, previsivelmente acirrado, será o depois: as possibilidades reais de somar apoio fora dos blocos para formar o novo governo de Israel. EFE

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