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Internacional

ONU afirma que Irã segue cumprindo acordo nuclear com grandes potências

22/02/2019 14h02

Viena, 22 fev (EFE).- O Irã segue cumprindo com as restrições nucleares estabelecidas pelo acordo assinado em 2015 com as grandes potências, inclusive depois que os Estados Unidos o abandonaram e impuseram sanções adicionais a Teerã, confirmou nesta sexta-feira a agência nuclear da ONU.

O país manteve nos últimos três meses sua produção e armazenamento de urânio enriquecido e água pesada dentro dos limites estipulados, segundo um relatório reservado da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ao qual a Agência Efe teve acesso.

"O Irã não enriqueceu urânio acima de 3,67%", indica a AIEA, em referência ao nível com o qual este combustível atômico só pode ser empregado para fins civis.

Segundo o pacto, conhecido como Plano Conjunto de Ação (JCPOA, na sigla em inglês), o Irã está proibido de armazenar mais de 130 toneladas de água pesada e mais de 300 quilos de urânio enriquecido, cuja pureza deve estar abaixo de 3,67%.

A AIEA confirma no seu relatório que o Irã segue cumprindo todos os aspectos do acordo assinado em 2015 com Alemanha, China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia, que impõe limitações por um período de entre 10 e 25 anos ao seu programa atômico.

"Este relatório mostra uma continuação da aplicação do acordo por parte do Irã", declarou à Efe um diplomata conhecedor do conteúdo do documento.

"A cooperação do Irã continua no mesmo nível, sem mudanças a respeito dos meses passados", acrescentou essa fonte.

Os EUA se retiraram de forma unilateral do JCPOA no ano passado e impuseram novas sanções contra a República Islâmica, alegando que o Irã não cumpre o espírito do acordo por continuar com um programa balístico e pela sua intervenção nos conflitos da Síria e do Iêmen.

O Irã disse que se manterá no acordo, que suspendeu parte das sanções internacionais, se os outros signatários - especialmente Alemanha, França e Reino Unido - garantirem os benefícios econômicos previstos.

Teerã aumentou ligeiramente o nível de suas reservas de urânio enriquecido, mas dentro dos 300 quilos permitidos, ao passar de 149,4 quilos em novembro a 163,8 em fevereiro.

A AIEA acrescenta que Teerã mantém limitado o número de centrífugas utilizadas para enriquecer urânio.

O Irã também mantém paralisadas as obras da usina de água pesada de Arak, onde tinha planejado produzir plutônio, outro combustível usado para alimentar armas atômicas.

O país também segue aplicando de forma voluntária, sem que tenha sido ratificado, o chamado "protocolo adicional" do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, que permite inspeções sem aviso prévio.

Na semana passada, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, pediu aos países europeus que se retirem do acordo nuclear e respaldem as sanções contra o Irã, o qual qualificou como "verdadeira ameaça para a paz no Oriente Médio".

Pence também criticou Reino Unido, França e Alemanha por ter criado um mecanismo financeiro especial que, segundo disse, permite "romper" as sanções americanas contra o regime iraniano. EFE

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