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Venezuelanos ficam retidos na Colômbia após fechamento da fronteira

25/02/2019 20h27

Jorge Gil Ángel.

Cúcuta (Colômbia), 25 fev (EFE).- A quantidade de venezuelanos retidos na cidade de Cúcuta, na Colômbia, é incalculável. Podem ser centenas ou até milhares as pessoas que foram auxiliar o envio de ajuda humanitária para a Venezuela e ficaram fora do próprio país após o fechamento da fronteira, ocorrido no sábado.

Alguns decidiram esperar a reabertura da passagem pelo departamento (estado) de Norte de Santander, cuja capital é Cúcuta. Outros, movidos pela necessidade, se arriscam a enfrentar trilhas geralmente usadas por traficantes de drogas e de pessoas. Quem pode aproveita o tempo em Cúcuta para comprar artigos que não conseguem onde moram ou recebem doações de supermercados, almoço em restaurantes e mantimentos em organizações sociais.

Nas proximidades da Ponte Internacional Francisco de Paula Santander, que liga Cúcuta à cidade venezuelana de Ureña e onde dois caminhões com ajuda humanitária foram queimados no sábado, cerca de 100 pessoas recebem doações enquanto planejam se voltam ou não para a Venezuela. Esse é o caso de María Vásquez, que chegou à Colômbia com mais 30 pessoas, na sexta-feira passada, para colaborar com a passagem de medicamentos e alimentos para a Venezuela.

"Como agora a fronteira está fechada, temos que aguardar. Esperamos que os políticos de Mérida resolvam o nosso retorno, porque, se nos mandaram para cá, têm que nos ajudar. Estou preocupada porque não sei como vou voltar para minha casa", afirmou ela, que veio de Mérida, à Agência Efe.

Assim como muitos de seu grupo, María disse que ficou sem dinheiro e recebeu comida em uma padaria, onde um grupo de colombianos improvisou um refeitório para ajudar pessoas que tentam sair das crises política, social e econômica que a Venezuela vive.

"Os que vieram sabiam que isso tudo poderia acontecer. Eu aceitei porque sei a que vim", disse ela, antes de contar que passou a primeira noite em um acampamento improvisado em uma área perto da Ponte Internacional Las Tienditas, onde estão armazenadas mais de 600 toneladas de ajuda humanitária para a Venezuela.

A roupa das pessoas que lá estão é outra amostra do quão duro foi o confronto de sábado. Muitos usam camisas brancas manchadas no incêndio dos caminhões. Um deles é Antonio Valdés, que também veio de Mérida e usava, orgulhoso, um boné com a bandeira do seu país.

"Estamos presos, não podemos sair. Temos que esperar que as horas passem para que a fronteira reabra", manifestou.

Valdés, que chegou a Cúcuta na quinta na esperança de contribuir para a passagem da ajuda humanitária, relatou que prefere esperar que os postos de fronteira reabram antes de tentar atravessar por um atalho, já que, segundo ele, do outro lado estão militares "que não respeitam os direitos humanos".

Apesar da travessia pelos corredores ilegais ser perigosa, pessoas como John Carlos Gaitán tentam voltar para a Venezuela de qualquer jeito.

"Vou arriscar. Recebi muita ajuda aqui, mas quero chegar em casa", contou Gaitán, que vive em San Juan de Colón, no estado de Táchira, a 50 quilômetros de Cúcuta.

Com muitas compras nas costas e acompanhado por alguns amigos, ele relatou que o episódio de sábado foi "caótico", por isso deseja chegar o mais rápido possível em casa, embora "as garantias lá não sejam as mais favoráveis".

Ele também chegou a Cúcuta na quinta para ajudar e participou do show Venezuela Aid Live, que contou com mais de 30 artistas - entre eles Alejandro Sanz, Maná e Maluma - para pedir a liberação da entrada da ajuda na Venezuela. Agora, ele ressaltou que apressa o passo no caminho de volta, já que não há garantias de que o lado venezuelano da fronteira será reaberto tão cedo. EFE