PUBLICIDADE
Topo

Papa confirma proibição do exercício do sacerdócio a cardeal australiano

26/02/2019 09h29

Cidade do Vaticano, 26 fev (EFE).- O papa Francisco confirmou a proibição, de maneira cautelar, do exercício do sacerdócio e o contato, de qualquer modo e forma, com menores de idade ao cardeal australiano George Pell, condenado por abuso sexual de menores, informou nesta terça-feira o Vaticano.

"Para garantir o curso da Justiça, o papa confirmou as medidas cautelares já dispostas ao cardeal Pell desde que ele retornou à Austrália, ou seja, aguardando a confirmação definitiva dos fatos, Pell está proibido de maneira cautelar de realizar o exercício público do ministério sacerdotal e como norma o contato de qualquer modo e forma com menores de idade", leu o porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti.

No comunicado oficial, o Vaticano diz que respeita "as autoridades judiciais australianas" conforme declarado nesta terça-feira pelo presidente da Conferência Episcopal da Austrália em relação à condenação ao prefeito da Secretaria Econômica, o "número 3" na hierarquia do Vaticano, que foi afastado "por motivos de idade" em dezembro do Conselho de Cardeais (o chamado C9) que auxilia o papa.

"Em nome desse respeito, agora esperamos o resultado do processo de apelação, lembrando que o cardeal Pell reiterou sua inocência e tem o direito de se defender até o último grau. Esperando o julgamento final, nos unimos aos bispos australianos para orar por todas as vítimas de abusos, reafirmando nosso compromisso de fazer todo o possível para que a Igreja seja um lar seguro para todos, especialmente para as crianças e os mais vulneráveis", diz a nota.

Segundo a sentença, emitida em dezembro, mas que foi divulgada hoje, Pell estuprou um menino de 13 anos de um coral na década de 1990 e abusou sexualmente de outro da mesma idade no prestigiado colégio St Kevins.

Pell está em liberdade condicional, mas pode ser detido amanhã. Agora, a Justiça australiana terá que determinar a pena, que deve ser anunciada na primeira metade de março, e o religioso enfrenta uma condenação de aproximadamente 10 anos de prisão.

Em 29 de junho de 2017, Francisco concedeu ao cardeal Pell uma permissão para ausentar-se para que pudesse se defender das acusações e, desde então, o cardeal não pôde cumprir com suas responsabilidades como prefeito da Secretaria de Economia, mas mantém o cargo ainda hoje.

O cardeal, que cumprirá 78 anos em junho, atualmente é membro da Congregação para os Bispos, a Congregação para a Evangelização dos Povos, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica e o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização. EFE