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Oposição da Guiné Equatorial diz que político detido é submetido a tortura

27/02/2019 11h27

Nairóbi, 27 fev (EFE).- O Partido Convergência para a Democracia Social (CPDS), da Guiné Equatorial, denunciou nesta quarta-feira que o ativista e militante do mesmo grupo Joaquín Eló Ayeto, detido na segunda-feira, foi "brutalmente torturado".

"Joaquín Eló Ayeto, militante do CPDS e ativista a favor dos direitos humanos, foi brutalmente torturado, na delegacia de 'Guantánamo', pelas forças de segurança", afirmou a formação em comunicado enviado à Agência Efe.

De acordo com o advogado de defesa, Eló foi detido por sete agentes armados das forças de segurança e levado para a Delegacia Central de Malabo, popularmente conhecida como "Guantánamo". No local, ele estaria sendo interrogado por fazer comentários sobre o presidente Teodoro Obiang.

Segundo o partido, o político está muito machucado. O grupo lembrou o caso de Santiago Ebee Elá, que morreu na mesma delegacia quando estava sob custódia policial, embora o governo tenha dito que o falecimento foi provocado por uma doença.

O CPDS disse que, conforme as suas fontes, a Polícia o acusa de fazer um suposto plano para assassinar Obiang durante uma viagem pelo país. A ONG EG Justice, que promove os direitos humanos na Guiné Equatorial e tem sede em Washington, também denunciou ontem a "detenção arbitrária" do opositor e reivindicou a sua libertação.

No meio do mês, grupos de direitos humanos denunciaram a morte de Onofre Otogo, que estava preso por suposto envolvimento na fracassada tentativa de golpe de Estado de 2017. Em novembro do ano passado, o presidente expulsou do governamental Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE) 42 militantes por suposto envolvimento na tentativa de levante.

Obiang, que está no poder desde 1979, assumiu depois de um golpe de Estado que derrubou seu tio Francisco Macías. Ele é o presidente a mais tempo no cargo da África. A Guiné Equatorial é considerada por organizações de direitos humanos como um dos países mais corruptos e repressivos do mundo. EFE