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África do Sul vive polêmica após divulgação de vídeo de homem ressuscitando

28/02/2019 09h56

Johanesburgo, 28 fev (EFE).- Um vídeo que se tornou viral no qual um pastor supostamente ressuscitava uma pessoa reativou nesta semana os questionamentos sobre os rituais religiosos na África do Sul, onde não há uma legislação restrititva para estes cultos.

No vídeo é possível ver a uma multidão reunida no domingo para escutar o sermão de Alph Lukau (fundador da igreja Alleluia Ministries International) em Johanesburgo.

Em um ponto da cerimônia, Lukau se aproxima de um caixão onde há um homem vestido de branco que finge estar morto, com seus familiares chorando ao redor, apesar de ser possível vê-lo, por exemplo, piscar de vez em quando.

Após recitar orações, o pastor põe as mãos em cima do suposto morto, que se levanta.

As imagens viralizaram e suscitaram preocupação entre diferentes instituições, desde a Comissão para a Promoção e Proteção dos Direitos Culturais, Religiosos e Linguísticos das Comunidades (CRL, um órgão independente com mandato constitucional), até o próprio Governo.

Nas redes sociais, a hashtag "ResurrectionChallenge" (Desafio de Ressurreição) virou tendência com milhares de brincadeiras a respeito e cruzou as fronteiras da África do Sul.

"Os que estão fazendo essas coisas completamente escandalosas tratam de enganar toda a nação dizendo que alguém ressuscitou entre os mortos. É, de fato, levar o nome de Deus e das igrejas ao descrédito", afirmou nesta quarta-feira o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, durante um encontro com cidadãos na Cidade do Cabo (sudoeste).

O debate principal está em torno da falta de regulação restritiva para este tipo de culto na África do Sul, onde se multiplicam os casos de pastores como Lukau.

Em outros países da região, como Ruanda, existem leis muito rigorosas a respeito para prevenir fraudes.

Na nação austral africana, no entanto, regularmente são revelados casos polêmicos de líderes religiosos, como o do telepredicador Paseka "Mboro" Motsoeneng (conhecido como profeta Mboro e acusado de fraude e lavagem de dinheiro), que assegurava nas redes sociais ter visitado e assassinado Satanás e agora prometeu levar Lukau diante da Justiça.

Outro caso famoso é o do pastor nigeriano Timothy Omotoso, que atualmente está sendo julgado por 67 acusações que incluem desde estupro a abuso, passando por tráfico de pessoas.

Omotoso utilizava sua posição de líder religioso para supostamente cometer abusos sexuais, unclusive com menores de idade entre suas vítimas. EFE