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Netanyahy tacha relatório da ONU sobre Gaza de "ódio obsessivo" contra Israel

28/02/2019 11h14

Jerusalém, 28 fev (EFE).- O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou nesta quinta-feira a validade do relatório da comissão das Nações Unidas que acusou Israel de possíveis crimes de guerra nas manifestações de Gaza e considerou que este "marca um nova recorde de hipocrisia e mentiras pelo ódio obsessivo a Israel".

"Israel não permitirá que o Hamas danifique a soberania israelense e seus cidadãos", declarou o chefe de Governo, que acrescentou que "os soldados do Exército seguirão defendendo os israelenses contra os ataques" desse movimento islamita e das "organizações islamitas financiadas pelo Irã".

O ministro israelense de Assuntos Estratégicos, Gilad Erdan, considerou que "o Conselho de Direitos Humanos da ONU não tem qualquer relação com a proteção dos direitos humanos" e tachou de "claramente falso" o relatório, divulgado hoje pelo o que considera "uma organização que há muito tempo que perdeu a legitimidade".

Além disso, garantiu que seu país "não aceitará sermões morais de um conselho liderado por regimes autoritários que violam diariamente os direitos humanos".

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Emanuel Nahson, qualificou de "distorcido" o documento e considerou a organização da ONU "cúmplice de fato do Hamas" por "apoiar e encorajar a agressão contra Israel e a opressão contra a população de Gaza".

No outro lado, a ONG israelense defensora dos direitos humanos Betselem reiterou sua chamada aos soldados "para que não cumpram com ordens manifestamente ilegais" de "disparar contra manifestantes desarmados que não representam uma ameaça para ninguém" e ressaltou que "até esse momento, os soldados têm o dever de se negar a cumprir com" estas instruções.

O relatório assegura que a reação do Exército de Israel às Marchas do Retorno realizadas na Faixa de Gaza desde março de 2018, nos quais as forças mataram pelo menos 189 palestinos, pode constituir "crimes de guerra".

Segundo a investigação, que começou com a criação da comissão em maio de 2018, no transcurso de meses de protestos os atiradores do Exército israelense dispararam contra milhares de manifestantes desarmados do outro lado da cerca que separa Israel de Gaza, causando direta ou indiretamente cerca de 10 mil feridos.

As autoridades palestinas deram hoje as boas-vindas ao relatório e pediram ao Tribunal Penal Internacional que inicie um procedimento legal contra os "crimes" israelenses. EFE