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Trump ordenou que seu genro tivesse acesso à informação privilegiada

28/02/2019 22h37

Nova York, 28 fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou no ano passado ao seu chefe de pessoal que autorizasse acesso ao seu genro e assessor principal, Jared Kushner, aos principais segredos do país, apesar da preocupação expressada por oficiais de inteligência e pelo principal advogado da Casa Branca.

A decisão de Trump de maio do ano passado preocupou tanto os funcionários da sua administração que o chefe de pessoal da Casa Branca nesse momento, John F. Kelly, escreveu uma nota interna onde detalhava como foi ordenado a dar acesso à informação privilegiada a Kushner, segundo afirma o jornal "The New York Times".

Até mesmo o principal advogado da Casa Branca, Donald F. McGahn II, escreveu também uma nota sobre as preocupações que tinham sido apresentadas, inclusive pela Agência de Inteligência (CIA), e como ele tinha recomendado que tal autorização não fosse concedida.

Kushner perdeu em fevereiro de 2018 a permissão temporária de "alto segredo" da qual desfrutava desde que Trump chegou ao poder em janeiro de 2017 por uma decisão de Kelly que era aplicada àqueles funcionários que trabalhassem há mais de oito meses sem que a investigação de seus antecedentes tivesse sido completada.

Pouco depois, em maio, o sinal verde foi dado à permissão permanente.

A informação contida nas notas de Kelly e de McGahn contradizem uma declaração feita pelo presidente Trump em janeiro deste ano ao próprio "Times", quando assegurou que não teve nenhum papel na concessão de autorização de segurança a seu genro.

Perguntada sobre as notícias que contradizem o presidente, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, afirmou que não comenta sobre permissões de segurança.

Por sua vez, advogado de Kushner, Abbe D. Lowell garantiu naquele momento que seu cliente passou pelo mesmo processo que todos os que obtêm a permissão.

Ivanka Trump, a filha mais velha do presidente e esposa de Kushner, também assegurou que seu pai não teve nada a ver com a sua permissão de acesso à informação privilegiada.

O "Times" afirma que se desconhece quais são exatamente os fatores que levantaram dúvidas sobre autorizar acesso à informação privilegiada a Kushner.

Além disso, indica que funcionários governamentais tinham manifestado preocupação sobre suas finanças e os vínculos dos negócios imobiliários da sua família com governos e investidores estrangeiros e porque não tinha informado inicialmente sobre contatos que tinha tido com estrangeiros.

O jornal ressalta que, enquanto o presidente tem a autoridade legal para conceder a permissão, na maioria dos casos é o escritório de segurança do pessoal da Casa Branca que a distribui, depois de uma investigação de antecedentes realizada pelo FBI. EFE

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