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EUA acusam Maduro de aumentar repressão após ataque com drones

13/03/2019 13h50

Washington, 13 mar (EFE).- Os Estados Unidos afirmaram nesta quarta-feira que o governo da Venezuela aumentou a repressão após a suposta tentativa de ataque com drones contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e citou como exemplo a detenção do deputado Juan Requesens, acusado de ser cúmplice desse ataque.

No relatório anual de direitos humanos referente a 2018, o Departamento de Estado americano disse que existe "informação crível" sobre torturas e abusos cometidos pelas forças de segurança venezuelanas, que estão "politizadas" e influenciadas pelo governo de Maduro, de acordo com o estudo.

"A situação dos Direitos Humanos é terrível, acredito que está bem documentada. Este relatório só vai até o final do ano e a situação piorou desde então", disse em entrevista coletiva Michael Kozak, que comanda o gabinete de Direitos Humanos do Departamento de Estado.

Para Washington, um dos pontos de inflexão na situação dos direitos humanos na Venezuela aconteceu no dia 4 de agosto, quando Maduro sofreu uma suposta tentativa de ataque com drones enquanto discursava pelo 81º aniversário da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar).

"O governo aumentou os seus ataques contra as liberdades civis depois da suposta e fracassada tentativa de assassinato presidencial de 4 de agosto", disse o Departamento de Estado no relatório.

Os EUA destacam a detenção de Requesens, no dia 7 de agosto, por "homens mascarados" da inteligência do país, enquanto Maduro o acusava na televisão de ser responsável pela tentativa de atentado.

Segundo os Estados Unidos, que citam matérias da imprensa e informações de várias ONGs, Requesens chegou a ficar em regime de isolamento até 23 horas por dia, não pôde receber atendimento médico adequado e não teve garantido o direito a um julgamento justo, embora suas condições de detenção tenham melhorado levemente desde dezembro.

No relatório, o Departamento de Estado menciona 2.000 casos de detenções arbitrárias e 286 presos políticos, documentados pela ONG Fórum Penal, que lembra que esse número - que data de 18 de novembro - é menor que o de 676 presos políticos da onda de protestos de 2017.

Os EUA destacam no relatório o estilo "cada vez mais autoritário" do governo venezuelano e critica as "profundamente fraudulentas" eleições de maio, nas quais Maduro foi reeleito.

O relatório se refere aos acontecimentos de 2018 e não menciona o líder oposicionista Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por 54 países, entre eles os Estados Unidos. EFE

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