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Principal produtor de alimentos da Venezuela registra perdas por saques

13/03/2019 12h04

Caracas, 13 mar (EFE).- O principal conglomerado produtor de alimentos da Venezuela, Empresas Polar, anunciou nesta quarta-feira perdas superiores a US$ 5 milhões pela onda de saques no estado de Zulia (oeste) depois do apagão que atingiu todo o país na última quinta-feira.

"As perdas calculadas até o momento chegam a mais de 18,6 bilhões de bolívares (US$ 5.637.063,99)", disse a empresa em um comunicado de imprensa.

A Polar afirma em sua nota que registrou "destruição e danos irreparáveis" em suas fábricas e armazéns, apesar dos "esforços de alguns órgãos de segurança" do governo de Nicolás Maduro, que não puderam "conter os atos de vandalismo" causados por centenas de pessoas.

"A situação atual que enfrentamos no país não justifica essas ações, que acabam prejudicando diretamente as populações próximas de nossas instalações, pois a disposição dos produtos que aqui elaboramos está destinada a servir essas populações", acrescentou a empresa.

Os saques ocorreram em quatro instalações do grupo na região de Zulia, que faz fronteira com a Colômbia. O último ocorreu na segunda-feira, quando foi registrada uma onda de atos de vandalismo contra vários estabelecimentos.

Testemunhas contaram ontem à Agência Efe que os saques começaram no domingo e se estenderam até a noite de segunda-feira em várias localidades, especialmente na cidade de Maracaibo, lar de cerca de 2 milhões de pessoas.

Grupos violentos invadiram padarias, supermercados, lojas de eletrodomésticos, sapatarias, joalherias, shoppings e empreendimentos de todo tipo, e saíram dali carregando o que cada um foi capaz de levar nas costas.

Consultados pela Efe no domingo, os chefes das associações patronais Consecomercio e Fedecámaras, María Carolina Uzcátegui e Carlos Larrazabal, respectivamente, assinalaram que ainda não foi possível quantificar com exatidão as perdas pelos saques e a queda na produtividade causada pelo blecaute.

Em Zulia, o fornecimento de energia começou a ser restabelecido com problemas na noite de segunda-feira, depois de mais de 100 horas contínuas sem luz.

Segundo o governo de Nicolás Maduro, as falhas foram provocadas por um ataque cibernético cometido pelos Estados Unidos e opositores locais que desestabilizaram o sistema elétrico de quase todo o país desde a quinta-feira às 21h GMT (18h em Brasília).

Por outro lado, especialistas e opositores acusam o governo de inaptidão e má gestão de recursos, que seriam as causas reais do apagão. EFE