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Vítima de pedofilia de Pell ainda não se sente reconfortada pela sentença

13/03/2019 00h19

Sydney (Austrália), 13 mar (EFE).- A vítima que processou o cardeal australiano George Pell por pedofilia, antigo número 3 do Vaticano, disse nesta quarta-feira que é difícil se sentir reconfortada pela sentença de seis anos de prisão contra o religioso.

Conhecida somente como "J", a vítima foi um dos dois meninos de 13 anos, do coral da igreja St Patrick's, que sofreu com os abusos de Pell após a celebração de uma missa em dezembro de 1996.

Semanas depois, "J", que ao lado de outra vítima gozava de uma bolsa de estudos na prestigiada escola St Kevin's em troca de que fizesse parte do coral, foi violentado sexualmente no mesmo lugar pelo então arcebispo de Melbourne.

"É difícil para mim me permitir sentir a gravidade deste momento, o momento em que a sentença foi emitida, o momento em que a justiça é feita, é difícil para mim agora sentir-me confortado com esse resultado", disse "J", em comunicado divulgado através da sua advogada.

"Agradeço que o tribunal tenha reconhecido o que foi infringido contra mim quando criança. No entanto, eu não tenho nenhum descanso", acrescentou.

A vítima ressaltou que "tudo está ofuscado" pelo recurso de apelação que a defesa de Pell, a mais alta hierarquia da Igreja Católica a ser condenada por pedofilia, ajuizou contra o veredicto de culpa e será avaliada em junho.

"J" lembrou quão difícil foi aparecer e ser questionado pelas partes em relação ao abuso que ele sofreu, um deles por penetração oral e toque em seus genitais, que denunciou depois que "R", morresse em 2014 por uma overdose de heroína.

O pai desta segunda vítima se mostrou "decepcionado pela curta condenação" e expressou sua tristeza pelo que considera uma punição inadequada para esses crimes, segundo seus advogados em um comunicado.

Pell, que foi condenado hoje a seis anos de prisão, deverá passar pelo menos 3 anos e 8 meses na cadeia, antes de poder pedir a liberdade condicional.

O juiz Peter Kidd, do Tribunal do estado de Victoria, que o condenou, ressaltou que o religioso, de 77 anos, atuou com "surpreendente arrogância", de forma consciente ao lembrar, além disso, que abusou vestido dos seus trajes religiosos contra J em duas oportunidades, abusando de seu poder e violando a confiança do menor. EFE