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Piloto da Ethiopian relatou problemas e pediu pista para aterrissar

14/03/2019 22h36

Washington, 14 mar (EFE).- O piloto da Ethiopian Airlines que conduzia o voo acidentado no domingo passado na Etiópia relatou problemas de "controle de voo" após a decolagem e solicitou uma pista de aterrissagem para retornar ao aeroporto de Adis Abeba.

"Solicito volta pra casa. Solicito vetor (sistema de navegação) para aterrissar", disse o piloto em aparente pânico aos controladores, segundo disse ao jornal "The New York Times" uma pessoa que revisou as comunicações entre a aeronave e a torre de controle.

As gravações, que ainda não foram divulgadas, indicam que um minuto depois da decolagem o piloto teria reportado, ainda com voz serena, um problema de "controle de voo" com sua aeronave, um Boeing 737 MAX 8 novo.

Nesse momento, os radares da torre de controle mostravam que o avião voava a uma altitude muito abaixo do mínimo considerado seguro durante uma decolagem.

Dois minutos depois, segundo a fonte do "The New York Times", o piloto, Yared Getachew, com 8.000 horas de voo de experiência, teria conseguido elevar a aeronave e se preparava para subir até 14.000 pés (4.267 metros).

Foi então que os controladores perceberam que a aeronave subia e descia bruscamente centenas de pés e voava a uma velocidade estranhamente rápida.

Conscientes de que algum problema estava ocorrendo, os funcionários da torre de controle de Adis Abeba "começaram a perguntar-se em voz alta o que o avião estava fazendo".

Os controladores ordenaram a outros dois voos que se aproximavam do aeroporto que permanecessem a uma altura de segurança enquanto lidavam com a emergência quando Getachew, em pânico, solicitou uma pista para voltar.

Getachew obteve a permissão para aterrissar, mas um minuto depois o avião desapareceu do radar.

No acidente deste voo, o 302 da Ethiopian Airlines com destino a Nairóbi, morreram 157 pessoas.

As semelhanças do acidente com o de outro 737 MAX8 ocorrido na Indonésia em outubro do ano passado fizeram com que os reguladores dos Estados Unidos, da União Europeia e do Brasil, entre muitos outros países, suspendessem os voos destes aviões da Boeing até que se esclareçam as causas.

A Boeing, por sua parte, paralisou nesta quinta-feira as entregas dos modelos 737 MAX8 que já haviam sido encomendados. EFE