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Aliança opositora considera insuficiente soltura de 50 pessoas na Nicarágua

15/03/2019 22h48

Manágua, 15 mar (EFE).- O grupo opositor Aliança Cívica qualificou nesta sexta-feira como "insuficiente" a libertação de 50 manifestantes na Nicarágua, em meio às negociações que mantêm com o governo de Daniel Ortega para superar a crise que explodiu em abril do ano passado.

"Claro que o número de 50, em nosso julgamento, não é um número suficiente", disse em entrevista coletiva o político opositor e advogado, José Pallais, membro da equipe negociadora da Aliança Cívica.

"Não satisfaz as expectativas que nós tínhamos planejado para que fosse uma quantidade apreciável. Em outras palavras, não nos satisfaz em absoluto", ressaltou.

Em comunicado, o Ministério de Governo informou que "deu cumprimento a 50 ordens a favor de pessoas que estavam detidas por ter cometido crimes contra a segurança comum e crimes contra a tranquilidade pública".

Há dois dias, o governo da Nicarágua decidiu com a opositora Aliança Cívica retomar as negociações para superar a crise que explodiu em abril do ano passado em troca da libertação "de um núcleo apreciável" de manifestantes presos a partir de hoje.

Pallais disse que durante a décima rodada de negociações, embora não fosse um tema de agenda, propuseram aos delegados do governo a necessidade de libertar um número maior de "presos políticos", com o objetivo de que a população confie nas conversas e de enviar sinais ao exterior "que impeçam a deterioração econômica da nação".

O advogado declarou que até hoje o Executivo libertou 162 opositores, de um total de 762 que têm registrados, o que, segundo insistiu, "segue sendo insuficiente".

Por sua vez, o deputado governista Wilfredo Navarro, um dos negociadores do governo na mesa com a Aliança Cívica, disse hoje que, com os 50 manifestantes libertados hoje, já somam 188 os que gozam de liberdade condicional.

Navarro afirmou ainda que o tema da libertação dos detidos será analisado primeiro "com as autoridades correspondentes" e rechaçou sua denominação como "presos políticos", preferindo a de "políticos presos pela comissão de crimes".

O Estado mantinha presos pelo menos 650 manifestantes antigovernamentais e mudou o regime carcerário de outros 112 "presos políticos", em um total de 762 detentos, segundo o Comitê Pró-Liberdade de Presos e Presos Políticos, que acusa o governo de utilizá-los "como reféns" nas negociações que mantém com a Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia.

O governo de Ortega reconhece 340 detidos pela sua participação na fracassada "tentativa de golpe de Estado", como o Executivo classifica os protestos populares que começaram em abril de 2018, e os tacha de "terroristas", "golpistas" e "delinquentes comuns".

Desde o último dia 18 de abril, a Nicarágua sofre uma grave crise que deixou 325 mortos, de acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), embora alguns grupos humanitários locais elevem a 561 o número de vítimas mortais, enquanto o Executivo só reconhece 199 e denuncia uma tentativa de golpe de Estado. EFE