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PT considera que pressão internacional pode ajudar a libertar Lula

16/03/2019 22h24

São Paulo, 16 mar (EFE).- O PT considera que a pressão internacional pode ajudar na liberação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre desde abril do ano passado pena por corrupção, assim como a que seja concedido a ele o Prêmio Nobel da Paz.

Tal visão foi manifestada pela presidente do partido, a deputada Gleisi Hoffmann, em entrevista à Agência Efe na qual explicou que a legenda trabalha tanto com comitês nacionais como com um internacional para pressionar pela libertação de Lula, a quem considera um preso político.

"As articulações internacionais vão colaborar para que se tenha outra visão (do processo de Lula) no Brasil. Já melhorou muito (a visão) em nível interno, onde começa a se considerar que o processo foi injusto", afirmou Gleisi.

"Há críticas (no Brasil) ao processo contra Lula e acredito que parte disso vem da pressão internacional e das manifestações de líderes internacionais", acrescentou a deputada, após lembrar as críticas de dirigentes como o ex-presidente do Governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e o ex-presidente francês François Hollande.

Gleisi foi uma das principais participantes este sábado do Encontro "Nacional Lula Livre", convocado pelo PT e que reuniu em São Paulo líderes de esquerda e dirigentes de movimentos sociais para analisar novas estratégias para pressionar pela liberdade do ex-presidente.

A deputada afirmou que parte dessa estratégia é criada por um comitê internacional comandado pelo ex-chanceler brasileiro Celso Amorim e que divulga no exterior informações sobre a situação no Brasil e sobre injustiças e falhas do processo, promovendo a candidatura de Lula ao Prêmio Nobel da Paz deste ano.

Segundo a presidente do PT, nenhum governo se pronunciou especificamente contra a prisão de Lula devido a que não lhes interessa gerar um conflito diplomático com o Brasil.

"É difícil cobrar dos governos uma posição porque os governos têm relações comerciais, relações institucionais, relações que superam o assunto político. Entendemos isso, mas recebemos a solidariedade de vários líderes internacionais, principalmente de parlamentares e ex-chefes de Governo", disse.

Hoffmann afirmou que a articulação internacional, mais do que efeitos práticos sobre as autoridades brasileiras, pode influir no julgamento que o Comitê de Direitos Humanos da ONU realizará no primeiro semestre deste ano sobre a situação de Lula e em apoio à sua candidatura ao Prêmio Nobel.

Ela acrescentou que um pronunciamento internacional contundente pode ser levado em conta tanto pelo Supremo Tribunal Federal, que no dia 10 de abril julgará um recurso sobre a legalidade da prisão de Lula, como pelo Superior Tribunal de Justiça, que entre março e abril se pronunciará em terceira instância contra a primeira condenação contra Lula.

O encontro convocado pelo PT neste sábado foi aberto com a leitura de uma carta de Lula na qual o presidente mais carismático na história do Brasil assegura que resiste na prisão porque sabe que ainda tem uma missão a cumprir pelo país.

"A força que me faz resistir a esta prova vem de vocês e da minha convicção de que sou inocente. Mas resisto principalmente porque sei que ainda tenho uma missão importante a cumprir neste momento em que a democracia, a soberania nacional e os direitos do povo brasileiro são ameaçados por interesses econômicos e políticos poderosos, inclusive de potências estrangeiras", afirmou Lula.

Na carta, escrita em sua cela em Curitiba, Lula agradeceu a solidariedade e o apoio que recebeu tanto dos militantes que formaram um comitê político para pressionar pela sua liberdade em diferentes cidades do país, como a líderes de outros países que igualmente pedem que ele seja libertado.

Também participaram do evento na sede do Sindicato dos Trabalhadores do Metrô em São Paulo o ex-ministro Fernando Haddad, que foi o candidato do PT nas eleições presidenciais de outubro passado, e a ex-deputada Manuela D'Avila, que foi sua companheira de chapa como candidata a vice-presidente.

"A luta pela liberdade de Lula não é só a luta de um partido, mas a de todos os que defendem a democracia", disse por sua vez o ex-candidato à presidência Guilherme Boulos, um dos líderes do PSOL e para quem a "democracia não combina com presos políticos". EFE

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