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Internacional

Putin admite que "muitos no mundo" não reconhecem "reunificação" da Crimeia

18/03/2019 15h29

Moscou, 18 mar (EFE).- O presidente russo, Vladimir Putin, admitiu nesta segunda-feira durante sua visita à Crimeia que "muitos no mundo" se negam a reconhecer a "reunificação" da península ucraniana com a Rússia e continuam considerando o processo como uma anexação.

"Muitos no mundo, na Europa, por diversos motivos, não querem reconhecer a ata de reunificação da Crimeia e Sebastopol com a Rússia. Falam da anexação da Crimeia por parte da Rússia e ignoram a realização de um referendo e a votação do povo que vive neste território", disse Putin.

O presidente russo, que chegou hoje à Crimeia pela ocasião do quinto aniversário da anexação, afirmou que se a expressão da vontade popular é o "princípio democrático mais importante", então todos devem reconhecer que "esse fato se consumou".

O líder também criticou os Estados Unidos e a União Europeia por não expedir vistos aos residentes na Crimeia que apresentam somente passaportes russos.

Os crimeanos se queixam que se quiserem obter um visto em um país ocidental devem viajar para a Ucrânia e fazer os trâmites necessários com documentos ucranianos.

Putin acredita que se o Ocidente considera que os crimeanos participaram há cinco anos do referendo de reunificação contra a sua vontade, não deve castigá-los, já que não têm "nenhuma responsabilidade" no ocorrido.

Por outro lado, se acha que eles votaram conscientemente, então deve admitir que a reincorporação foi a expressão de vontade majoritária dos habitantes da península e que a Crimeia é a Rússia.

Putin inaugurou hoje duas usinas termelétricas na Crimeia por ocasião do quinto aniversário da "reunificação", considerada pela Ucrânia e pela maior parte da comunidade internacional como uma anexação.

Segundo recentes pesquisas, 89% dos crimeanos apoiam a "reunificação", enquanto essa porcentagem é de 88% no caso dos russos.

Os crimeanos comemoraram no último sábado o quinto aniversário do referendo, no qual mais de 95% dos habitantes da região, então sob controle formal da Ucrânia, se manifestaram a favor de romper laços com Kiev.

Dois dias depois, em 18 de março de 2014, Putin e os líderes da Crimeia e o estratégico porto de Sebastopol assinavam no Kremlin os tratados de incorporação desses territórios na Federação da Rússia.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, que se encontra em plena campanha eleitoral, afirmou que a Crimeia será "devolvida".

"A Ucrânia não cede a qualquer negociação, a nenhum acordo secreto. Faremos tudo para que isso aconteça o mais rápido possível, imediatamente depois das eleições presidenciais", disse.

Poroshenko contou desde o início do imbróglio com o apoio do Ocidente, que impôs sanções a Moscou pouco depois da anexação. EFE

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