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Em discurso emocionado, Ardern diz que nunca citará nome de autor de massacre

19/03/2019 02h56

Christchurch (Nova Zelândia), 19 mar (EFE).- A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, disse nesta terça-feira que jamais mencionará o nome do autor do massacre de Christchurch, que deixou 50 mortos e 50 feridos, privando-o da notoriedade que procurava.

"Nunca vão me ouvir mencionar seu nome, ele é um terrorista, ele é um criminoso, é um extremista, mas quando falar (dele) será um sem-nome", disse Ardern, em um discurso emocionado no Parlamento em Wellington.

"Falem daqueles que perdemos, em vez daqueles que acabaram com suas vidas", sugeriu a governante na câmara, onde lembrou de algumas das vítimas, como Haji-Daoud Nabi, um afegão de 71 anos que abriu a porta da mesquita de Al Noor ao agressor e cujas últimas palavras foram "Olá irmão, seja bem-vindo".

A premier reiterou que o agressor das duas mesquitas de Christchurch receberá mais acusações e será punido "com todo o rigor da lei" na Nova Zelândia, onde insistiu que "não lhe daremos nada, nem mesmo seu nome".

O australiano Brenton Tarrant, 28 anos, considerado pela polícia o único responsável pelo ataque, permanecerá em prisão provisória, que lhe foi imposta no último sábado ao ser acusado de assassinato, até que ele compareça diante do juiz, no dia 5 de abril.

O agressor residia em Dunedin, cerca de 400 quilômetros de Christchurch, onde atacou centenas de pessoas que tinham ido às mesquitas de Al Noor e Linwood para a habitual oração das sextas-feiras.

Tarrant gravou as imagens por 17 minutos e publicou um longo manifesto de mais de 70 páginas, justificando sua ideologia de direita e seu ódio aos muçulmanos, que juntamente com o vídeo foram divulgados nas redes sociais.

Jacinda Ardern ressaltou que as portas de seu país seguirão abertas como sempre para toda pessoa que respeite os valores de tolerância e "só devem ser fechadas para aqueles que promovam o ódio e o medo".

Em seu discurso, a primeira-ministra neozelandesa confirmou que as ações das agências de segurança serão revisadas, assim como haverá uma reforma na lei de armas e será analisada o papel das redes sociais. EFE