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Internacional

EUA acusam Rússia, China e Cuba de apoiar "ex-regime" de Maduro

19/03/2019 08h59

Genebra, 19 mar (EFE).- A subsecretária de Estado dos EUA para Controle de Armamento, Yleem Poblete, acusou nesta terça-feira a Rússia, China e Cuba de apoiar o ex-regime de Nicolás Maduro na repressão da democracia na Venezuela.

"O ex-regime de Maduro, com ajuda não dissimulada da Rússia, China e Cuba, usou táticas de repressão contra elementos democráticos e tentou encurralar a Assembleia Nacional, única instituição democrática nesse país", afirmou Poblete.

A subsecretária fez estas declarações em um duro discurso onde também criticou o Irã, Síria e Coreia do Norte, por causa do acesso dos Estados Unidos à presidência da Conferência de Desarmamento em Genebra.

"A história demonstrou um regime que oprime seu povo e despreza as leis internacionais e por isso esperamos que um representante do presidente legítimo Juan Guaidó possa assumir a presidência rotativa venezuelana desta Conferência de Desarmamento em maio", afirmou Poblete.

Em seu discurso, Poblete afirmou que "as ações agressivas da Rússia colocaram em xeque a questão de segurança europeia" através de todos os tipos de ações, como a de "seguir apoiando e defendendo as táticas brutais do regime sírio de Bashar Al-Assad contra o seu próprio povo, incluindo o uso de armas químicas".

Mas "o de Damasco não é o único regime que a Rússia apoia, tem também o de Maduro na Venezuela", acrescentou a subsecretária dos EUA, país que no mês passado suspendeu o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) que Moscou e Washington mantiveram em vigor durante 30 anos.

Sobre o Irã, Poblete afirmou a preocupação dos EUA pelo programa de desenvolvimento balístico de um país que "possui o maior arsenal de mísseis da região e os desenvolve com cada vez maior exatidão", algo que na sua opinião é "um dos principais fatores de desestabilização do Oriente Médio".

"Desde o Líbano até a Síria e o Iêmen, a influência nociva do Irã está afetando a região", assegurou a política americana, que ressaltou que os EUA "se comprometem a combater agressivamente a proliferação balística iraniano".

Da China, a subsecretária de Estado afirmou que "segue centrada no domínio regional e em tentar ser cada vez mais ser capaz de exercer a coerção dos aliados dos EUA para se transformar em uma potência militar que possa competir em nível mundial".

Poblete acrescentou que o gigante asiático "tem um comportamento cada vez mais preocupante no espaço ultraterrestre", no qual, como a Rússia, por um lado advoga pela criação de convenções internacionais de controle de armamento antissatélite, mas pelo outro desenvolve armas deste tipo.

Poblete inclusive citou um empresário chinês, Li Fangwei (também conhecido como Karl Lee), suspeito de auxiliar o programa de armamento iraniano enquanto "a China se negou a tomar medidas para que de uma vez por todas deixe de exercer esse comércio".

Com a Coreia do Norte, país com o qual os EUA mantêm atualmente um diálogo de desarmamento ao mais alto nível (com duas reuniões em 2018 e 2019 entre o presidente Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-un), Poblete se mostrou mais moderada, embora tenha pedido a Pyongyang que "deixe todas suas armas de destruição em massa".

Os EUA assumem a presidência de uma Conferência de Desarmamento que não conseguiu a assinatura de acordos internacionais nesta matéria nas duas últimas décadas, o que minou sua reputação e gerou uma "paralisia" que em palavras da delegação americana deve resistir com vontade política.

"A influência e as ações de regimes desesperados por se aferrar ao poder menosprezam mecanismos como este, por isso que pedimos à Conferência de Desarmamento que una a vontade necessária para deter estes atores malignos e fazer com que prestem contas", disse a subsecretária. EFE

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