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Ataque de milícia étnica deixa mais de 100 mortos na região central do Mali

23/03/2019 16h41

Bamaco, 23 mar (EFE).- Ao menos 100 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em um ataque cometido neste sábado na região central do Mali pela milícia Donzo, formada por caçadores da etnia bambara, contra pastores da etnia peul, um dos piores massacres do país nos últimos anos.

Fontes de comunidades locais e políticos informaram à Agência Efe que cerca de 30 homens armados e com o uniforme Donzo entraram nesta manhã na vila de Ogossagou, na cidade de Bankass, na região de Mopti, e atacaram a população local.

"Os agressores invadiram o local por nordeste e sudeste e abriram fogo contra os habitantes, idosos, crianças e mulheres de forma indiscriminada", disse por telefone um vereador da cidade atacada.

O vereador, que classificou o ocorrido como "massacre", detalhou que mais de 400 casas foram queimadas e que "o povoado se transformou em cinzas". O governo do Mali ainda não se pronunciou sobre o fato.

Este ataque coincide com o término de uma visita de dois dias realizada a Bamaco por uma delegação do Conselho de Segurança da ONU para avaliar o trabalho da sua missão de paz no Mali (Minusma).

Ao longo de 2018, a região de Mopti foi palco de diversos confrontos entre os grupos tuaregue rivais ou entre os caçadores e os pastores pelo controle da terra, além das razões religiosas, já que os caçadores acusam os peul de terem vínculos com os grupos jihadistas locais.

A ONG Human Rights Watch alertou que mais de 200 civis morreram e dezenas de aldeias foram incendiadas na região central do Mali durante 2018 como consequência de ataques de milícias formadas por grupos étnicos. EFE