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"Coletes amarelos" fazem grande protesto pacífico em Paris

23/03/2019 13h19

Paris, 23 mar (EFE).- Milhares de "coletes amarelos" fazem neste sábado em Paris mais um protesto contra o governo da França, mas, desta vez, sem confrontos com os agentes que fazem parte do grande esquema de segurança montado para evitar incidentes.

A calma da capital, no entanto, não se repetiu em cidades como Montpellier, no sul do país, e em Lyon, no leste, nas quais os manifestantes provocaram incidentes durante os protestos.

Um grupo de "coletes amarelos" entrou em confronto com as forças de segurança em uma praça central de Montpellier por volta das 16h locais (12h em Brasília). Os agentes precisaram utilizar gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

Em Paris, a manifestação autorizada pelas autoridades locais saiu da Praça Denfert Rocherau, no sul da capital, e foi até a Basílica do Sagrado Coração, no norte, cercada por centenas de policiais.

"Não somos terroristas, mas sim o povo em dificuldade", escreveram os manifestantes em alguns dos cartazes. Outro trazia a mensagem que "violência são 5 milhões de pobres e 40 bilionários".

Algumas lideranças de partidos da esquerda participaram do protesto, como o líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélechon.

Professora em Paris, Claudine disse que vestiu seu colete amarelo para protestar contra o fim dos serviços públicos em todo o país.

Sobre a violência registrada na Champs-Élysées no sábado passado, a manifestante disse que não apoia os grupos violentos que participam dos protestos dos "coletes amarelos". No entanto, Claudine ressaltou que o governo só fez concessões depois de se ver ameaçado pelos incidentes provocados durante as manifestações.

No último sábado, alguns dos "coletes amarelos" depredaram dezenas de lojas - algumas delas foram saqueadas e incendiadas. Acuado, o governo precisou substituir o chefe da Polícia de Paris e organizar uma nova estratégia para manter a ordem na capital.

Uma das medidas tomadas foi a proibição de manifestações nas regiões centrais de 15 cidades de toda a França. Em Paris, não haverá mais protestos na Champs-Élysées e em áreas próximas ao Palácio do Eliseu, sede da presidência, e à Assembleia Nacional.

O governo elevou o valor das multas, agora de 135 euros, para aqueles que se reúnam em locais onde as manifestações foram proibidas e recorreu aos militares da missão Sentille, destinada ao combate do terrorismo, para vigiar prédios públicos.

Apesar da calma, a Polícia de Paris prendeu 51 pessoas ao longo da manhã e outras 29 foram multadas por descumprir as novas regras para manifestações no país. EFE