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Chefe do Exército pede inabilitação do presidente da Argélia

26/03/2019 13h56

Argel, 26 mar (EFE).- O chefe do Exército da Argélia e vice-ministro da Defesa, general Ahmed Gaid Salah, pediu nesta terça-feira a inabilitação do presidente do país, Abdelaziz Bouteflika, que está gravemente doente desde 2013.

Em discurso durante uma visita oficial à cidade de Ouargla, Gaid Salah, um dos homens mais fiéis ao governante, defendeu a aplicação do artigo 102 da Constituição, algo que a população pede há cerca de um mês em diversas manifestações.

"A situação no nosso país tem sido marcada nesses dias por manifestações populares pacíficas, organizadas em todo o território nacional, que exigem mudanças políticas", explicou o militar, braço direito de Bouteflika desde que o atual líder chegou ao poder, em 1999.

"(Os protestos) poderiam ser explorados por partes hostis e mal-intencionados, tanto no interior como no exterior do país, para tentar quebrar a sua estabilidade. Para evitar qualquer situação incerta à nossa nação, é dever de todos trabalhar com patriotismo e sacrifício e privilegiar os interesses supremos do país para encontrar, no futuro imediato, uma solução para resolver a crise", disse o general.

De acordo com Gaid Salah, "uma solução cabe unicamente dentro da Constituição, que é a única garantia para a preservação de uma situação política estável", ressaltou.

"Neste contexto, se faz necessário, inclusive imperativo, adotar uma solução para sair da crise que responda às demandas legítimas do povo argelino e que garanta o respeito das disposições da Constituição e a manutenção da soberania do Estado", acrescentou.

"Uma solução capaz de alcançar o consenso de todas as visões e o acordo unânime de todas as partes, estipulada pela Constituição no seu artigo 102", que permite a inabilitação do presidente, concluiu.

A Argélia tem sido palco de grandes manifestações a cada sexta-feira, nas quais a população exige a renúncia do presidente, a saída do atual governo e a abertura de um período de transição para novas eleições.

Os protestos, apoiados pela situação, o Exército, a oposição e a sociedade civil já deram resultado. No dia 11 de março, Bouteflika, que está incapacitado desde 2013, desistiu de tentar a reeleição para um quinto mandato e adiou o pleito previsto para 18 de abril.

No entanto, a manobra não foi suficiente para acalmar a população, que exige a renúncia do seu círculo de poder, o qual acusa de corrupção e responsabilidade pela grave crise econômica que o país atravessa desde 2014. EFE

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