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Após passagem de ciclone, 6 pessoas morrem de diarreia em Moçambique

27/03/2019 18h44

Maputo, 27 mar (EFE).- O diretor do Serviço Nacional de Assistência Médica de Moçambique, Ussene Isse, informou nesta quarta-feira que seis pessoas morreram entre segunda e terça na cidade de Beira por diarreia aguda, como consequência da falta de saneamento e de água potável que surgiram após a passagem do ciclone Idai.

"Nossas equipes estão investigando se essas mortes estão relacionadas com o cólera", afirmou o diretor, que deu entrevista coletiva na cidade que foi epicentro do desastre.

Isse, no entanto, admitiu que foi descoberta uma bactéria causadora dessa infecção intestinal aguda em um poço de um bairro periférico, onde cinco pessoas apresentaram resultado positivo para cólera.

"Observamos que há um aumento no caso de diarreias. Neste momento, a diarreia é um dos principais problemas de saúde pública, principalmente na cidade de Beira, e depois vem a malária", acrescentou o diretor.

Diante da prudência de Isse, o vereador da cidade portuária David Simango falou aos jornalistas que foram registradas "seis mortes por cólera", mas reconheceu não dispor de todos os dados.

As autoridades de saúde identificaram 2.800 pacientes com diarreia nas províncias de Sofala, onde está Beira, e Manica, na fronteira com o Zimbábue, e instalaram quatro centros de tratamento.

Desses pacientes, 1.800 estão em Beira, uma das principais cidades de Moçambique, onde o Idai causou 468 mortes - sem contar os seis falecidos por diarreia - até o momento, de acordo com dados oficiais.

Ontem, o porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Saviano Abreu, advertiu à Agência Efe sobre o aumento no número de pessoas em abrigos de Beira, as fortes diarreias e os sintomas de desidratação. Além disso, confirmou que foi ativado o protocolo de atuação de controle da cólera.

Mais de 800 mil pessoas foram diretamente afetadas pelo ciclone, que no último dia 14 atingiu o centro de Moçambique e deixou um rastro de devastação ao provocar fortes chuvas que causaram inundações e destruíram 76 mil casas, 54 hospitais e mais de 3.200 escolas.

O ciclone primeiro tinha passado pelo Malawi como tempestade tropical, depois foi para Moçambique e no dia seguinte chegou ao Zimbábue. Nesses três países, o Idai deixou, até o momento, 700 mortos. EFE