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Ministro norueguês renuncia após companheira ser acusada de simular ataques

28/03/2019 15h14

Copenhague, 28 mar (EFE).- O ministro de Justiça da Noruega, Tor Mikkel Wara, anunciou nesta quinta-feira sua renúncia do cargo depois que o serviço secreto da polícia ampliou as acusações contra sua companheira, Laila Bertheussen, suspeita de ter simulado vários ataques contra o ministro para que os mesmos parecessem atentados.

Wara foi vítima de vários incidentes nos últimos meses em forma de pichações e ameaças e tinha tirado uma licença indefinida do cargo há duas semanas, depois que sua companheira foi acusada de ter colocado fogo no carro da família há alguns dias.

Os supostos atentados provocaram declarações de apoio por parte de vários integrantes do governo contra o que foi considerado um ato contra a sociedade e a liberdade de expressão no país, e resultaram em uma investigação do serviço de inteligência da polícia (PST, na sigla em norueguês).

"Trata-se de um caso muito sério que eu preferiria ter evitado", disse em entrevista coletiva a primeira-ministra da Noruega, a conservadora Erna Solberg, que se mostrou "triste" pela situação e agradeceu ao ministro o seu trabalho no governo.

Wara afirmou em um comparecimento conjunto com a premiê que a decisão era exclusivamente sua e que os últimos dias foram "difíceis" para a família, mas não quis dar mais detalhes sobre o caso até um futuro indefinido.

"Depois de uma avaliação conjunta baseada em provas técnicas e táticas, o PST decidiu mudar o status de Laila Bertheussen para suspeita em todos os episódios denunciados", diz um comunicado.

A casa de Wara, que é filiado ao xenofóbico Partido do Progresso (Frp, na sigla em norueguês), foi alvo de vários ataques nos últimos meses, entre eles pichações na fachada com a palavra "racista" e uma suástica, que culminaram há duas semanas com o incêndio do carro.

Bertheussen é acusada por gerar falsa suspeita de que um ato sujeito à punição foi cometido, um crime sancionado com multas e pena de prisão de até um ano.

Wara tinha assumido o cargo há um ano em substituição de sua companheira de partido, Sylvi Listhaug, que renunciou após publicar uma postagem polêmica nas redes sociais com ataques ao Partido Trabalhista, da oposição, o que quase provocou a queda de Solberg, depois que um de seus aliados fora da coalizão de governo ameaçou apresentar uma moção de censura.

O ministro dos Transportes, Jon Georg Dale, que passou a assumir as funções de Wara depois que ele entrou com o pedido de licença, seguirá no comando da pasta de forma interina, até que um novo nome seja anunciado. EFE

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