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Internacional

Comediante quer derrubar a elite política na Ucrânia

29/03/2019 16h06

Nadjejda Vicente.

Kiev, 29 mar (EFE).- O comediante Vladimir Zelenski, candidato favorito nas pesquisas sobre as eleições presidenciais que acontecerão neste domingo na Ucrânia, quer transformar o país derrubando a atual classe política e devolvendo o protagonismo à população.

"Eu, como milhões de ucranianos, estou decepcionado com as pessoas que estiveram no poder todos estes anos. A experiência política delas é mais desvantajosa do que motivo de orgulho" declarou ele à Agência Efe durante a campanha.

De candidato surpresa a primeiro lugar em todas as pesquisas, Zelenski, com seu ativismo midiático, se consagrou como líder da luta contra a corrupção, a principal queixa dos ucranianos. Seu objetivo é mostrar "que é possível estar no poder e, ao mesmo tempo, continuar sendo humano".

Zelenski, de 41 anos, é astro do humorístico "Servo do povo", na TV ucraniana. No programa, ele interpreta um professor de História que acaba sendo eleito presidente depois de viralizar um vídeo seu criticando a corrupção no país.

O ator, nascido em uma cidade industrial da região sudeste e filho de um professor, estudou Direito, mas nunca exerceu a profissão. Já na escola mostrava interesse pelas Artes Cênicas e cultivou a veia artística participando de várias peças e concursos de humor.

Ele começou a fazer carreira no entretenimento logo cedo, e atualmente dirige e apresenta os programas mais vistos da Ucrânia. Casado e pai de dois filhos, Zelenski ganhou fama e fez fortuna com a produtora "Kvartal-95".

Poucos pareciam acreditar quando, na véspera do Ano Novo, ele anunciou a intenção de se apresentar como candidato à presidência do país. Desde então, Zelenski promoveu uma intensa campanha nas redes sociais com vários vídeos de protesto nos quais ficção e realidade se entrelaçam.

Adepto de um estilo eleitoral pouco convencional, pede conselhos ao público para elaborar slogans e até fez chamadas usando nariz de palhaço. As pesquisas o colocam à frente na corrida presidencial com quase 25% das intenções de voto, passando ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko e o atual presidente, Petro Poroshenko.

Zelenski diz que, se ganhar, sua primeira reforma será eliminar os privilégios de deputados, de juízes e do próprio presidente. Além disso, iniciará mecanismos de democracia direta para tomar decisões políticas importantes através de referendos online.

Com frases de efeito como "O Novo contra O Velho", soube canalizar o descontentamento dos eleitores a seu favor, especialmente o dos jovens e o da população do sudeste do país, região que mais sofreu por causa do conflito com a Rússia.

Para Zelenski, a mediação dos Estados Unidos é fundamental para conseguir a paz. Mas as negociações com a Rússia só recomeçarão, caso vença, se a soberania e a integridade territorial forem restabelecidas e as tropas russas recuarem. Ele não está disposto a fazer concessão envolvendo a península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, e exige a sua desocupação.

Embora tenha tido uma bem sucedida carreira no cinema russo, ele nega que o governo do país vizinho esteja torcendo pela sua vitória e lembra que existe um processo aberto na Justiça russa contra ele por apoiar financeiramente o Exército ucraniano.

Apesar de simpatizar com os valores europeus, Zelenski considera que a Ucrânia não esteja preparada para entrar na União Europeia (UE) neste momento. Porém, gostaria que o bloco que não virasse as costas para a democracia ucraniana. EFE

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