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Deputado do Parlasul anuncia moção contra homenagem de Bolsonaro a Stroessner

29/03/2019 15h50

Assunção, 29 mar (EFE).- O deputado paraguaio Ricardo Canese anunciou nesta sexta-feira a apresentação de uma moção no Parlasul, o parlamento do Mercosul, para condenar as declarações do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que prestou uma "homenagem" ao falecido ditador paraguaio Alfredo Stroessner.

Em um encontro em fevereiro com o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, na hidrelétrica de Itaipu, Bolsonaro definiu Stroessner como um "um estadista que sabia perfeitamente" o que queria para o Paraguai.

"A minha homenagem ao general Alfredo Stroessner", disse Bolsonaro na ocasião.

A moção, que será discutida em 1º de abril, condena a homenagem de Bolsonaro a um "ditador pedófilo, protetor de genocidas nazistas e autor de centenas de milhares de crimes contra a humanidade", afirmou Canese, segundo um comunicado de seu partido, o esquerdista Frente Guasu.

Além disso, o deputado lembrou em entrevista coletiva que o relatório final da Comissão de Verdade e Justiça do Paraguai reconhece que pelo menos 59 pessoas foram executadas de forma extrajudicial durante a ditadura, 336 desapareceram e 18.772 sofreram tortura.

Canese também afirmou que 3.470 paraguaios foram obrigados a buscar o exílio por causa da perseguição política do regime e 19.862 pessoas foram detidas de forma arbitrária por razões ideológicas.

A condenação do deputado se une a de outros grupos políticos do Paraguai, como o Partido Liberal, o maior da oposição, que classificou as palavras de Bolsonaro como uma "afronta e uma falta de respeito a milhares de compatriotas que foram perseguidos, torturados e mortos".

As declarações de Bolsonaro ocorreram durante o encontro com Abdo Benítez na hidrelétrica de Itaipu, cujo tratado de exploração deverá ser renegociado pelos dois países em 2023.

Canese anunciou a apresentação de outra moção para que o Parlamento do Mercosul reafirme "o pleno direito do Paraguai de dispor livremente de 50% da energia" gerada pela usina.

Além disso, o parlamentar pediu respeito ao Tratado de Itaipu, assinado pelos dois países em 1973, e também aos acordos relativos à contratação de potência e de energia por parte da Administração Nacional de Eletricidade do Paraguai.

"O Brasil hoje, com o senhor Bolsonaro, quer desconhecer que temos direito a 50% da energia mais barata e que podemos dispor dela da forma que quisermos", afirmou Canese.

Os dois países renegociam o Anexo C do Tratado de Itaipu, que estabelece que o Paraguai tem o direito de usar metade da produção de Itaipu e deve vender seu excedente ao Brasil a preço de custo. EFE

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