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Tymoshenko e a personificação da resiliência na política ucraniana

29/03/2019 16h06

Nadjejda Vicente.

Kiev, 29 mar (EFE).- Considerada por muitos na Ucrânia como a personificação da resiliência na complexa política nacional, Yulia Tymoshenko ficou marcada por discursos duros que a transformaram em uma das personalidades mais carismáticas da história pós-soviética do país.

Aos 58 anos, a ex-primeira-ministra agora tenta chegar à presidência e está entre as favoritas para vencer as eleições do próximo domingo.

"Ela é o único 'homem' na política ucraniana", definiu certa vez, de forma polêmica, o ex-presidente Leonid Kuchma ao ressaltar a personalidade forte de Tymochenko.

De ascendência letã por parte de pai e ucraniana pelo lado da mãe, a ex-premiê nasceu em Dnipropetrovsk, no leste do país, onde se formou em Economia. Em 1991, ano da queda da União Soviética, ela fundou com o marido, Vladimir, a Ukrainski Benzin ("Gasolina Ucraniana", que se tornaria a Sistemas Energéticos Unidos da Ucrânia.

A empresa, de acordo com ela, foi transformada em "terra arrasada" pelas autoridades.

A indignação alçou Tymoshenko à carreira política. Em 1997, a ex-empresária conquistou uma cadeira na Rada Suprema, o parlamento do país, com mais de 90% dos votos. A ascensão que se seguiu foi meteórica.

No ano seguinte, Tymoshenko foi escolhida para comandar o Comitê Orçamentário do Legislativo, promovendo uma série de importantes reformas. Em 1999, participou da fundação do Batkivschina e tornou-se líder do partido.

O sucesso chama a atenção. A hoje candidata à presidência foi nomeada vice-primeira-ministra, ficando responsável pelo setor elétrico do país, cargo que exerceu até 2001, quando foi destituída após divergências com Kuchma.

Um mês depois, Tymoshenko acabou presa provisoriamente, acusada de contrabando de gás e evasão tributária. Após 42 dias na cadeia, um tribunal decidiu que as denúncias contra ela eram inconsistentes.

Então uma líder opositora de peso, Tymoshenko recusou-se a se candidatar à presidência em 2004 e decidiu apoiar Viktor Yushchenko, que enfrentou no segundo turno o então primeiro-ministro do país, Viktor Yanukovich.

Yanukovich venceu com uma vantagem de três pontos percentuais, mas seus adversários denunciaram uma fraude e convocaram manifestações.

Tymoshenko então passou a ser principal liderança da "Revolução Laranja", com seus discursos diários, incentivando dezenas de milhares de pessoas a ocuparem a Praça da Independência de Kiev.

Os protestos fizeram com que a Justiça determinasse a repetição das eleições. Yushchenko venceu e nomeou Tymoshenko como primeira-ministra, mas a caminhada no governo durou só oito meses.

Quem exerceu um papel-chave para a saída de Tymoshenko é o atual presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, que tentará a reeleição e na época era secretário do Conselho de Segurança e Defesa.

A ex-primeira-ministra voltou ao cargo em 2007 e conseguiu costurar um acordo com a Rússia para encerrar a "guerra do gás" entre os dois países, o que provocou a paralisação do abastecimento para a Europa.

Tymoshenko tentou assumir a presidência em 2010, mas foi derrotada por Yanukovich nas eleições daquele ano.

Pouco depois de Yanukovich assumir o poder, o Ministério Público abriu várias investigações contra a ex-primeira-ministra. Em outubro de 2011, ela foi considerada culpada por abuso de poder e condenada a sete anos de prisão.

Na cadeia, Tymoshenko realizou várias greves de fome, enquanto a União Europeia (UE) e várias organizações internacionais exigiam a liberdade da ex-premiê por considerar que sua prisão foi política.

No dia 22 de fevereiro de 2014, o mesmo em que Yanukovich foi cassado pelo parlamento após uma insurreição popular, Tymoshenko foi libertada e voltou à luta política. EFE

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