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SIP vincula Bolsonaro a aumento de agressividade contra imprensa no Brasil

7.mar.2019 - Jair Bolsonaro participa da comemoração dos 211 anos do corpo de fuzileiros naval da Marinha brasileira, na Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, no centro do Rio de Janeiro - Fábio Motta/Estadão Conteúdo
7.mar.2019 - Jair Bolsonaro participa da comemoração dos 211 anos do corpo de fuzileiros naval da Marinha brasileira, na Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, no centro do Rio de Janeiro Imagem: Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Cartagena (Colômbia)

30/03/2019 21h50

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) expressou neste sábado sua preocupação com a agressividade contra o exercício do jornalismo no Brasil, um cenário que atribui ao presidente Jair Bolsonaro.

"É preocupante o crescimento nos últimos meses da agressividade em relação à atividade jornalística", afirmou a Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP no seu relatório sobre o Brasil, divulgado na reunião de meio ano do organismo realizada em Cartagena, na Colômbia.

Segundo o relatório, essa tendência é produto da "exacerbação política da campanha eleitoral do ano passado, amplificada pelas redes sociais", que "estimulou a intolerância contra jornalistas, revelando uma tendência anti-liberdade de imprensa que persiste".

O relatório cita como exemplo o uso que o próprio Bolsonaro faz do Twitter para lançar agressões à imprensa.

"Segundo um relatório do jornal 'O Estado de S. Paulo' divulgado na sua edição de 12 de março, em pouco mais de dois meses de governo, o presidente Jair Bolsonaro utilizou o Twitter para atacar os meios de comunicação a cada três dias", acrescenta o relatório.

Nessa campanha participam também pessoas próximas ao presidente, uma vez que, segundo a análise do jornal citada pela SIP, "quase metade das críticas e acusações contra a imprensa que aparece na conta de Bolsonaro é feita por meio de retweets de aliados e familiares, como seus dois filhos Carlos e Eduardo, e das páginas que costumam reunir simpatizantes do líder".

"Esta postura do presidente estimulou uma crescente onda de ofensas e difamações contra jornalistas e meios de comunicação nas redes sociais por parte dos militantes favoráveis ao seu governo", destaca o relatório da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação.

Em resposta a essa política, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e outros grêmios alertaram em comunicado que a tentativa de Bolsonaro de "produzir na imprensa a imagem de inimiga ignora o papel do jornalismo independente de investigar e fiscalizar os atos das autoridades públicas".

Essa intolerância fomenta "mensagens ofensivas e ameaças" como os dirigidos em outubro de 2018, "no auge da campanha eleitoral", contra a jornalista Patrícia Campos Mello, da "Folha de S. Paulo".

As agressões contra esta jornalista se deveram a reportagens "em que informava que empresários vinculados ao então candidato Jair Bolsonaro contrataram empresas para divulgar em redes sociais, de maneira ilegal, mensagens com ataques à campanha política adversária".

Segundo a SIP, "nesse clima geral de ameaças, veladas ou não, ao livre exercício do jornalismo", a ANJ contabilizou nove casos de agressão física a jornalistas no exercício da profissão, três de intimidação, três ataques, dois casos de vandalismo e quatro de censura judicial, números que o organismo continental considera "preocupantes".

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