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Zelenski e Poroshenko disputarão 2º turno na Ucrânia, segundo pesquisas

31/03/2019 17h16

Kiev, 31 mar (EFE).- O comediante Vladimir Zelenski e o atual presidente Petro Poroshenko foram os candidatos mais votados nas eleições presidenciais deste domingo na Ucrânia e devem disputar o segundo turno em 21 de abril, conforme indicam pesquisas de boca de urna.

De acordo com a empresa TSN, Zelenski obteve 30,1% dos votos e Poroshenko, 18,5%, enquanto a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko ficou na terceira colocação, com 14%, informou a emissora de televisão ucraniana "1+1".

Outras pesquisas feitas na saída dos locais de votação e cujos resultados foram divulgados por outros veículos do país confirmariam a clara vitória do ator contra o atual presidente. Desta forma, Zelenski cumpre as previsões, já que liderou as pesquisas desde o final de janeiro, embora em apenas uma ocasião tenha sido apontado com mais de 30% dos votos.

Logo após conhecer os resultados das pesquisas de boca de urna, Zelenski se pronunciou em um dos seus redutos e agradeceu os ucranianos que o apoiaram "não de brincadeira", mas de forma séria.

Poroshenko, por sua vez, pediu o apoio dos eleitores do seu oponente no segundo turno.

"Gostaria fazer um apelo aos jovens, aos que têm menos de 30 anos. Tenho plena noção dos desejos de vocês por mudanças qualitativas. Temos que nos unir e não perder tempo. Entendo as razões de vocês e peço que me escutem também: tudo o que fizemos nos últimos cinco anos foi para os jovens, para a geração futura", afirmou em entrevista coletiva.

Ele ainda agradeceu os eleitores que o apoiaram, mas lembrou que "esta ainda não é uma vitória, e sim um grande passo para ela".

Poroshenko estava muito atrás nas pesquisas no início da campanha, mas o incidente naval com a Rússia no Mar Negro, em novembro, e a fundação de uma Igreja Ortodoxa independente de Moscou fizeram com que ele subisse nas pesquisas.

De acordo com a legislação vigente, Zelenski enfrentará Poroshenko dentro de três semanas. Em princípio, o ator de 41 anos parte como favorito, mas especialistas consideram que a máquina financeira e organizacional presidencial a serviço de Poroshenko poderiam favorecê-lo.

Yulia Tymoshenko se pautou no descontentamento social com a gestão econômica de Poroshenko para se eleger, mas não deve conseguir completar o sonho de governar a Ucrânia. Ao saber do resultado das pesquisas, ela se negou a reconhecer a derrota, com o argumento de que esse tipo de levantamento é suspeito.

"Peço para que não tomem as pesquisas de boca de urna como uma verdade suprema. É algo desonesto e manipulador. Peço para que se dirijam aos colégios e defendam o resultado até o fim. Lutemos por cada voto", disse ela entre apoiadores.

O quarto candidato mais votado foi o pró-Rússia Yuri Boiko, ex-ministro no governo do presidente deposto Viktor Yanukovich e que defende a normalização das relações com o Kremlin, com 9,1% dos votos.

A campanha de Zelenski, que desenvolveu um aplicativo para que os eleitores denunciem eventuais irregularidades e que fará uma apuração paralela, tinha recebido até às 14h GMT (11h em Brasília) 4.070 denúncias.

Ao todo, 39 candidatos participaram das eleições presidenciais deste domingo, nas quais 45,11% dos eleitores tinha participado até às 13 GMT (10h em Brasília). Mais de 34 milhões de ucranianos estavam habilitados a votar nessa eleição que teve um número recorde de candidatos, mas 5 milhões de pessoas residentes em territórios controlados pelos separatistas pró-Rússia nas províncias de Donetsk e Lugansk não puderam exercer o direito ao voto. EFE

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