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Mais de 113 milhões de pessoas foram vítimas de fome extrema em 2018

Amal Hussain, 7, que sofria de desnutrição aguda severa, era cuidada em uma clínica móvel administrada pela Unicef em Aslam, Iêmen - TYLER HICKS/NYT
Amal Hussain, 7, que sofria de desnutrição aguda severa, era cuidada em uma clínica móvel administrada pela Unicef em Aslam, Iêmen Imagem: TYLER HICKS/NYT

02/04/2019 13h40

Mais de 113 milhões de pessoas de 53 países foram vítimas de fome extrema em 2018, especialmente no Iêmen, na República Democrática do Congo e no Afeganistão, segundo um relatório publicado hoje por ocasião de um ato da Rede Global contra as Crises Alimentares, que revelou que as guerras e o clima foram os principais motivos da carência de alimentos.

O documento foi divulgado por em um ato em Bruxelas que reuniu representantes da União Europeia (UE), da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Os conflitos bélicos, a mudança climática e as crises econômicas motivaram, nessa ordem, as deficiências alimentares. Cerca de dois terços das pessoas mais afetadas pela fome estavam em oito países: Iêmen, República Democrática do Congo, Afeganistão, Etiópia, Síria, Sudão, Sudão do Sul e Nigéria.

A guerra e os conflitos motivaram a desnutrição de 74 milhões de pessoas em 21 países. Outras 29 milhões de pessoas passaram fome por culpa das catástrofes naturais e do clima e cerca de 10 milhões foram afetadas pelo impacto de crises econômicas.

Países como Venezuela e Coreia do Norte, onde também há problemas alimentares, não aparecem na análise por causa da existência de brechas em seus dados. Para 2019, o relatório indica que não há reflexos de que a situação nos países mais afetados pelas crises de fome mude.

Além disso, alerta que a seca irá piorar as perspectivas de produção agrícola em diferentes regiões do sul da África e no Corredor Seco da América Central e que o fenômeno meteorológico "El Niño" terá possivelmente um impacto na agricultura e no preço dos alimentos na América Latina e no Caribe.

Para abordar eficazmente as crises alimentares, os especialistas mencionam a necessidade de pôr fim aos conflitos, dar mais poder às mulheres, melhorar as infraestruturas rurais e reforçar as redes de segurança e ajudas sociais. Por isso, pedem à comunidade internacional que invista na prevenção de conflitos e garanta uma paz sustentável.

"As crises alimentares continuam sendo um desafio global, que requer nossos esforços conjuntos", disse hoje o comissário europeu de Ajuda Humanitária, Christos Stylianides, que lembrou que nos últimos três anos a UE foi o maior doador de assistência alimentar, com cerca de 2 bilhões de euros.

Ele opinou, além disso, que o relatório apresentado oferece uma base para melhorar a coordenação da ajuda.

Já o diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos, David Beasley, afirmou que a comunidade global deve se envolver mais na resolução dos conflitos que motivam a fome.

As organizações não-governamentais insistiram na necessidade de não limitar a assistência para aliviar a fome, mas também em investir em sistemas de produção de alimentos.

Em comunicado, a ex-ministra de Ecologia e atual responsável da Oxfam França, Cécile Duflot, qualificou de "inadequada" a resposta global à fome.

"Os governos nos países ricos e pobres prometeram reformas corajosas, mas forneceram pouco. Isto tem que mudar", disse Duflot, que pediu principalmente mais apoio para as mulheres e investimentos em agricultura.

Por sua vez, a organização Ação Contra a Fome, que participa de um dos painéis do evento em Bruxelas, defendeu a necessidade de "promover políticas públicas efetivas para garantir o acesso aos serviços básicos".

A Rede Mundial Contra as Crises Alimentares, que é formada por parceiros internacionais humanitários e de desenvolvimento, publica este relatório todos os anos, com o objetivo de oferecer dados aos atores ativos nesse âmbito e ajudar a planejar as próximas ações.

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