Topo

Trudeau critica China por "fazer as coisas à sua maneira" no cenário global

2019-05-21T15:47:00

21/05/2019 15h47

Toronto, 21 mai (EFE).- O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, criticou nesta terça-feira a China por "fazer as coisas à sua maneira", paralelamente a uma visita ao país asiático de uma missão diplomática enviada por seu governo para tentar conseguir a libertação de dois cidadãos canadenses.

"A China está fazendo movimentos mais enérgicos do que os que tinha feito até agora, tentando fazer as coisas à sua maneira no cenário internacional. E os países ocidentais e as democracias de todo o mundo estão se unindo para reforçar que isso não é algo que vamos continuar permitindo", disse Trudeau.

Em entrevista coletiva o primeiro-ministro acrescentou que manterá os contatos com Pequim para obter a libertação de dois canadenses detidos desde dezembro do ano passado pelas autoridades chinesas. Segundo diversos analistas políticos, o caso é uma represália pela prisão no Canadá, a pedido dos EUA, da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou.

"Vamos continuar tratando em nível diplomático com a China para nos certificar que os canadenses sejam tratados tão bem quanto for possível. E, principalmente, conseguir que sejam libertados os canadenses que foram detidos de forma arbitrária por razões políticas", declarou.

Os dois aos quais Trudeau se referia são o ex-diplomata Michael Kovrig e o empresário Michael Spavor, ambos detidos na China pouco depois que o Canadá prendeu Meng em 1º de dezembro de 2018.

A filha do fundador da Huawei foi detida a pedido dos EUA, que quer sua extradição porque a acusa de fraude para burlar as sanções econômicas impostas pelo governo americano ao Irã.

A prisão de Meng provocou uma das maiores crises diplomáticas na história das relações entre o Canadá e a China e ocorreu em meio à disputa comercial entre os governos americano e chinês, em particular envolvendo a Huawei, gigante global no ramo de telecomunicações.

Hoje, a chanceler do Canadá, Chrystia Freeland, confirmou que uma delegação de parlamentares canadenses, da chamada Associação Legislativa Canadá-China, está no país asiático para pressionar pela libertação de Kovrig e Spavor.

Freeland disse ainda que tentou se reunir com o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, e que até o momento Trudeau não conversou com o presidente da China, Xi Jinping.

"A prática da China parece ser evitar reuniões de alto nível", lamentou Freeland.

"Está muito claro que é um momento muito difícil na relação entre o Canadá e a China", finalizou. EFE

Mais Internacional