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África do Sul extraditará a Moçambique ex-ministro acusado de fraude

2019-05-22T09:50:00

22/05/2019 09h50

Johanesburgo, 22 mai (EFE).- O governo da África do Sul confirmou nesta quarta-feira que enviará o ex-ministro de Finanças de Moçambique Manuel Chang ao seu país de origem para que responda por acusações de corrupção, apesar de um pedido de extradição feito pelos Estados Unidos por fraude.

A decisão foi anunciada pelo ministro de Justiça sul-africano, Michael Masutha, que deveria se pronunciar sobre o caso depois que um tribunal do país autorizou a possível extradição tanto a Moçambique quanto aos Estados Unidos em abril.

Masutha levou em conta não só aspectos como a gravidade dos crimes pelos quais é acusado nos dois países, mas também a nacionalidade de Chang e seu importante posto como ministro no passado.

"Cometeu os crimes quando servia como alto funcionário em Moçambique e, portanto, Moçambique foi escolhido como o mais adequado. Esse país ficou com uma grande dívida financeira como resultado dos crimes porque (Chang) atuava em nome do Estado", explicou o ministro sul-africano em entrevista à rádio "SAfm".

Chang, de 63 anos, foi detido em Johanesburgo no final de dezembro e, desde então, a Justiça da nação africana revisou dois pedidos de extradição que pesavam contra ele.

Ele é acusado por um tribunal federal de Nova York por, supostamente, ter feito empréstimos entre 2013 e 2014 (quando era ministro) no valor de US$ 2 bilhões, garantidos pelo governo de Moçambique, para vendê-los a investidores de todo o mundo, incluindo os Estados Unidos, através de duas instituições financeiras com a intenção de enganá-las.

Em Moçambique, Chang tem no total sete acusações pendentes pela mesma trama, que incluem lavagem de dinheiro, abuso de cargo e corrupção passiva.

Os empréstimos foram feitos sem o conhecimento do Fundo Monetário Internacional (FMI), o que fez com que em 2016 tanto esta instituição quanto os doadores estrangeiros suspendessem o apoio, causando um colapso da moeda e uma forte crise econômica. Por esta causa também foi detido em Moçambique Ndambi Guebuza, filho mais velho do ex-presidente Armando Guebuza (2005-2015).

A preferência da equipe legal de Chang era que ele fosse enviado a Moçambique. EFE

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