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Questão ambiental terá "impacto destrutivo" para governo, diz Manuela D'Ávila

Manuela Dávila - Reprodução/Facebook
Manuela Dávila Imagem: Reprodução/Facebook

Luís Lima

06/06/2019 16h20

A ex-candidata a vice-presidente nas últimas eleições, Manuela D'Ávila, afirmou nesta quinta-feira, em Madri, que a preocupação que existe na Europa com o meio ambiente "terá um impacto destrutivo" para o governo do presidente Jair Bolsonaro.

"A destruição ambiental no Brasil corre a passos gigantescos", disse a política e militante feminista em entrevista à Agência Efe na capital espanhola.

Manuela alegou que a questão ambiental talvez seja o caminho mais rápido para que, na Europa, saibam quem é Bolsonaro, a quem ela definiu como "um presidente absolutamente incapaz".

"Há muitos anos que a Europa olha com olhos muito abertos para isso (meio ambiente). Não adianta dizer que é 'verde' e continuar se relacionando com Bolsonaro", destacou, citando como exemplo a decisão recente de uma rede de supermercados da Suécia de não comprar mais produtos do Brasil devido à liberação do uso de agrotóxicos proibidos na Europa.

Além da questão ambiental, a política do PCdoB denunciou que o Brasil está "completamente ameaçado em todos os outros sentidos" por conta de "um governo que executa políticas de morte".

"O presidente liberou as armas, a caça, expulsou os médicos cubanos com o argumento de que eram ideológicos. O presidente ridiculariza qualquer movimento em defesa das mulheres, dos LGBTs e o assassinato de Marielle Franco, uma parlamentar negra que recebeu nove tiros", lamentou.

Voz ativa nas redes sociais, com 1,4 milhão de seguidores no Instagram e 733 mil no Twitter, Manuela D'Ávila criticou a existência de uma indústria de distribuição de mentiras profissionalizadas no país que segue ativa depois das eleições do ano passado.

"Não são propagandas falsas, mentiras qualquer, são conteúdos específicos, informações muito sofisticadas. Aqueles que as distribuem têm muito dinheiro, ferramentas de 'big data', robôs que atuam permanentemente", afirmou.

Uma das calúnias sofridas pela ex-candidata foi a de ter sido a mandante do atentado sofrido por Bolsonaro em setembro do ano passado, durante a campanha eleitoral. A montagem foi divulgada nas redes sociais por um homem ligado ao atual presidente, o jornalista Edilásio Barra.

"Não adianta falar que não sabia, porque cada um é responsável pelo que diz, e agora ele vai falar diante do juiz", disse Manuela.

Durante a entrevista, a política definiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como "o maior líder popular do Brasil, não só da esquerda", e que continua sendo influente na política, mesmo na prisão.

Quando perguntada se a campanha "Lula Livre" pode fragmentar a esquerda no Brasil, Manuela respondeu que não, argumentando que "a esquerda inteira está de acordo com a defesa da sua liberdade" e considera "uma injustiça" o processo judicial ao qual Lula foi submetido.

Manuela D'Ávila viajou a Madri para participar de vários eventos, entre eles o evento feminista Festival Princesas e Darth Vaders, realizado no espaço La Casa Encedida.

Além disso, ela aproveitará para divulgar seu último livro, lançado este ano, "Revolução Laura: reflexões sobre maternidade & resistência", no qual conta como é ser política e mãe de uma filha de três anos.

Meio Ambiente