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Opositores não aceitam suspensão e convocam protestos até retirada de lei

Manifestantes protestam contra a truculência da polícia de Hong Kong durante ato contra uma proposta de lei de extradição - Hector Retamal/AFP
Manifestantes protestam contra a truculência da polícia de Hong Kong durante ato contra uma proposta de lei de extradição Imagem: Hector Retamal/AFP

15/06/2019 08h36

Hong Kong, 15 jun (EFE).- Organizações civis de Hong Kong afirmaram neste sábado (15) que continuarão protestando até que a chefe do governo local, Carrie Lam, retire definitivamente sua polêmica proposta de lei de extradição, que gerou uma oposição em massa nas ruas.

A coalizão Civil Human Rights Front convocou hoje os cidadãos de Hong Kong a comparecer maciçamente no domingo (16) em um novo protesto para exigir a renúncia de Lam, a quem também pedem que condene o excessivo uso da força por parte da polícia durante as manifestações da última quarta-feira (12).

Lam disse neste sábado em entrevista coletiva que a segunda leitura da legislação, que poderia permitir à China o acesso a "fugitivos" em território de Hong Kong, fica "suspensa" até novo aviso, mas não estabeleceu nenhum prazo para retomá-la.

"A suspensão não é aceitável porque o governo poderia retomar o projeto de lei em cinco dias, em qualquer momento", indicou Jimmy Sham, coordenador da organização.

Sham, que agradeceu à comunidade internacional por falar em defesa do povo de Hong Kong, disse que a greve geral prevista para a próxima segunda-feira (17) está desconvocada, dado que não há reunião do legislativo.

Outro de seus pedidos é que Lam deixe de considerar como "revolta" as manifestações de quarta-feira na sede parlamentar, que a polícia dispersou à força --usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha-- deixando 81 feridos (dois deles em estado grave) e um saldo de 11 detidos, segundo as forças de segurança locais.

Governo perdeu credibilidade, diz opositora

Por sua vez, a líder opositora Claudia Mo pediu hoje a Lam que retire "completamente" a lei e sua renúncia porque "perdeu toda a sua credibilidade", diz a imprensa local.

Enquanto isso, o advogado James To, do Partido Democrático, ressaltou que Lam ainda não se desculpou pela violência e que o povo de Hong Kong "não ficará quieto".

Lam reconheceu hoje que criou um grande conflito, que o povo está "decepcionado e triste", e acrescentou que seu governo escutará aberto às opiniões sobre o projeto legislativo.

No entanto, defendeu a atuação da polícia porque "dezenas de pessoas provocaram enfrentamentos que causaram lesões em policiais, jornalistas e residentes".

Porta-voz do governo fala em 'estabilidade e da prosperidade'

Por sua vez, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, mostrou hoje seu "apoio, respeito e compreensão" a Lam e ao governo de Hong Kong em prol da "estabilidade e da prosperidade" da ex-colônia britânica.

"Desde o seu retorno à China, os direitos e liberdades dos residentes de Hong Kong foram respeitados de acordo com a lei. Os fatos estão aí para quem quiser vê-los. Manter a estabilidade em Hong Kong serve aos interesses da China e de todos os países do mundo", disse o porta-voz, que apontou que os assuntos de Hong Kong são "de índole interna" e que "nenhum país deve interferir neles".

O projeto de lei teve a oposição de um amplo espectro social, de estudantes a empresários, que expressaram preocupação com o risco de residentes em Hong Kong acusados de crimes sejam transferidos à parte continental da China.

Os opositores temem que, com a nova lei, ativistas locais, jornalistas críticos ou dissidentes residentes em Hong Kong também possam ser enviados à China continental para serem julgados.

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