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Frente Civil de Hong Kong apoia greve geral convocada para segunda-feira

2019-06-16T03:20:00

16/06/2019 03h20

Hong Kong, 16 jun (EFE).- A Frente Civil pelos Direitos Humanos afirmou neste domingo que apoia a greve geral em Hong Kong convocada pelos sindicatos na próxima segunda-feira para exigir do governo que retire definitivamente seu polêmico projeto de lei de extradição que criou grande rejeição na sociedade do território.

A vice-coordenadora da Frente Bonnie Leung disse à Agência Efe que a organização cívica não convoca a greve, mas que a apoia, e pediu aos moradores de Hong Kong que se somem a ela.

Outra responsável da frente Wong Yok Mo explicou ontem que ao terem suspendido a reunião do Parlamento na segunda-feira sobre a lei de extradição estava desconvocada a greve geral prevista para esse dia, embora as organizações sociais de trabalhadores tenham mantido a convocação.

"O importante é que não haverá sessão legislativa na segunda-feira, sendo que ir à sede do Legislativo talvez não seja uma prioridade", disse Leung, embora tenha afirmado que as organizações devem se preparar agora para o futuro porque "a suspensão da lei anunciada ontem não é uma vitória, é só uma tática para ganhar tempo".

Nesse sentido, Lee Cheng-yan, representante na Frente da confederação de sindicatos, defendeu em uma entrevista coletiva a convocação da greve, se referindo que a suspensão do projeto legislativo significa que "a lei pode reviver a qualquer momento".

Lee acrescentou que a responsabilidade da crise gerada nestes dias é da chefe de governo, Carrie Lam, "por não retirar o projeto depois das manifestações maciças".

Às vésperas de uma nova manifestação neste domingo, Lam voltou atrás e anunciou a "suspensão" até novo aviso da sua controversa proposta legislativa que permitiria extraditar, para entre outros países à China, os acusados de certos crimes.

A mudança de postura de Lam, que até agora tinha defendido com ímpeto seu projeto de lei de extradição, aconteceu depois de se reunir com seu Governo e depois que alguns dirigentes políticos que o apoiavam pediram na sexta-feira adiá-lo ou deixá-lo em suspenso.

O movimento cidadão de Hong Kong, que faz uma mobilização inédita em décadas na ex-colônia britânica contra o projeto de lei de extradição do seu governo, convoca hoje uma manifestação na qual também pede a Lam que condene o uso excessivo da força policial durante as manifestações de quarta-feira passada.

A manifestação de hoje segue esses protestos, quando centenas de milhares de pessoas foram para as ruas para pedir a retirada do texto, embora só tenham conseguido um adiamento da sua segunda leitura no Parlamento.

Proposta em fevereiro e com uma votação final que estava prevista para 20 de junho, a lei permitiria à Chefia de Governo e aos tribunais de Hong Kong tramitar, sem supervisão legislativa, as solicitações de extradição de jurisdições sem acordos prévios, em particular, China e Taiwan.

Os opositores temem que se essa lei seguir em frente, ativistas locais, jornalistas críticos ou dissidentes residentes em Hong Kong poderiam ser também enviados à China continental para serem julgados. EFE

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