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OEA contraria acusações de fraude nas eleições da Guatemala

18/06/2019 17h42

Cidade da Guatemala, 18 jun (EFE).- O chefe da missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) para a Guatemala, Luis Guillermo Solís, disse nesta terça-feira que não são verdadeiras as acusações de fraude feitas pelo partido Movimento para a Libertação dos Povos (MLP), que não reconhece os resultados do pleito realizado no domingo.

"Na opinião da missão, não houve fraude. Certamente aconteceram várias situações que merecem ser adequadamente investigadas pelos órgãos competentes, mas nesse quesito consideramos que os resultados refletem a decisão do povo", explicou o ex-presidente da Costa Rica em entrevista coletiva.

O MLP, que tinha a líder indígena e ativista dos direitos humanos Thelma Cabrera como candidata, classificou como "fraude" o processo eleitoral, recusou os resultados - que a colocaram em quarto lugar - e anunciou manifestações para os próximos dias.

Apesar de negar uma fraude eleitoral, Solís disse que no dia da eleição os observadores da OEA, que percorreram 1.132 Juntas Receptoras de Voto em todo o país, reportaram casos de transporte em massa de eleitores. A missão, que chegou ao país em 5 de junho, mas que já tinha realizado duas visitas prévias, também notou que domingo houve "um clima de tensão" em vários municípios.

"Os casos de violência aumentaram depois do fechamento das urnas. Provocaram a morte de um militante de um partido e ferimentos em nove policiais", explicou.

Segundo ele, a missão da OEA confia na responsabilidade dos líderes políticos para promover a resolução de conflitos através do diálogo e dos mecanismos estabelecidos na lei.

A missão recebeu 20 denúncias relacionadas, na grande maioria das vezes, a atos de "coação ao eleitor e uso indevido de recursos públicos durante as semanas anteriores à eleição", mas afirmou que a lei só regula como crime a entrega de dinheiro ou bens a cidadãos com a intenção de influenciar o voto 36 horas antes e durante o dia da votação, o que deixa a limitação de tempos "ineficaz".

Apesar desses incidentes, Solís argumentou que os casos foram "relativamente isolados" e que não influenciaram nos resultados eleitorais.

Os resultados preliminares do Tribunal Superior Eleitoral, que devem ser ratificados após as impugnações serem resolvidas, indicam que Sandra Torres, a social-democrata e ex-primeira-dama da Guatemala, e Alejandro Giammattei, o candidato de centro-direita, são os dois que disputarão o cargo de presidente do país no segundo turno, marcado para 11 de agosto. EFE

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