Topo

Paraguai pede ao Brasil prisão e extradição de 3 acusados de sequestro

18/06/2019 19h43

Assunção, 18 jun (EFE).- O Paraguai pediu nesta terça-feira ao Brasil a prisão e a extradição de três ativistas acusados de sequestro no país e que na última sexta-feira perderam status de refugiados por decisão do Comitê Nacional para Refugiados (Conare).

Os documentos para justificar o pedido de prisão e extradição de Juam Arrom, Anuncio Martí e Víctor Colman foram apresentados ao governo brasileiro pela embaixada do Paraguai em Brasília. Os três são acusados de sequestrar María Edith Bordón, nora do ex-ministro da Fazenda Enzo Debernardi, em 2001.

O pedido, de 290 páginas, foi entregue ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil pela ministra conselheira da embaixada paraguaia em Brasília, Nimia da Silva.

Ex-líderes do Partido Patría Livre, Arrom e Martí fugiram do Paraguai em agosto de 2003, um dia antes do julgamento no qual responderiam às acusações de sequestro. Na época, eles ganharam status de refugiados, concedido pelo governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao alegarem que eram perseguidos no país. O mesmo ocorreu pouco depois com Colman.

Semanas depois do sequestro da nora do ex-ministro da Fazenda paraguaio, Arrom e Martí desapareceram e foram encontrados em uma prisão clandestina de Assunção com sinais de tortura.

O rapto dos dois militantes de esquerda, que teria sido cometido por integrantes das forças de segurança do país, gerou um grande escândalo e provocou a queda de importantes figuras do governo. Por esse motivo, os dois fugiram para o Brasil e apresentaram a denúncia contra o Paraguai na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH).

No último dia 4 de junho, a CorteIDH decidiu absolver o Paraguai da denúncia por falta de provas, argumento usado pelo governo do país vizinho para reforçar o pedido para que o Conare retirasse o status de refugiados dos três ativistas.

O Ministério Público do Paraguai pediu na última sexta-feira que Arrom, Martí e Colman sejam incluídos na lista de procurados da Interpol, considerando a hipótese de os três fugirem do Brasil. EFE

Mais Internacional